Ronaldo só voltará aos gramados em 2001, com ajuda psicológica
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Reali Júnior 
Paris, 12 (AE) - Ronaldinho permanecerá fora dos gramados por pelo menos sete ou oito meses, após a cirurgia a que se submeteu hoje, no início da noite, no Hospital de La Pitié Salpetriére, em Paris. O jogador foi operado com sucesso de uma "ruptura traumática do tendão da patela (rótula) direito", pelo professor Gerard Saillant e sua equipe.
A intervenção durou duas horas e consistiu "na restauração da lesão". Está previsto um programa de reeducação, que deverá durar até o final do ano, razão pela qual sua volta às competições só deverá ocorrer no próximo ano. Na saída, o professor Gerard Saillant afirmou que o jogador passa bem e não duvida de sua volta aos gramados.
Até a meia-noite de hoje, hora de Paris, Ronaldinho encontrava-se ainda sob anestesia, mas deveria voltar a seu quarto durante a madrugada. No início da noite, chegaram a Paris
seus pais, Sônia e Nélio, e um de seus irmãos, com o nome do pai. Amanhã pela manhã, está prevista uma entrevista coletiva da equipe médica no Hospital de La Pitié Salpetriére, ocasião em que serão conhecidos os detalhes da cirurgia, iniciada às 19h30.
Apesar do otimismo dos médicos, incluindo o da Inter de Milão, Piero Volpi, a cirurgia a que se submeteu o jogador foi muito mais profunda que a anterior. Os comentários sobre a volta de Ronaldinho em condições ideais são numerosos, mas sem muita certeza. O mesmo se pode dizer dos meios de divulgação europeus, jornais e emissoras de televisão. Alguns dão como praticamente encerrada a carreira do "fenômeno".
Hoje, as emissoras francesas trataram do caso Ronaldinho utilizando o verbo no passado. Por isso, alguns dos responsáveis pela execução do tratamento médico reagiram a esses comentários, entre eles o fisioterapeuta Newton Petroni, o "Filé", dizendo: "Estamos no fundo do poço, já não temos onde cavar, mas vamos reiniciar o nosso trabalho com a mesma dedicação para que Ronaldo volte a brilhar como anteriormente." A seu ver, ninguém é culpado pelo que aconteceu, mesmo porque tudo foi feito e o sentimento de surpresa não alcançou apenas o professor Saillant, mas toda a equipe que o acompanhou durante o período de recuperação.
Paralelamente, o jogador deverá ser acompanhado psicologicamente, pois essa, talvez, seja a parte mais importante do tratamento que deverá iniciar, depois dos problemas de saúde que o acompanham desde a Copa de 1998. Segundo Rodrigo Paiva, amigo e assessor do craque, passadas as primeiras horas de forte emoção, o jogador está tranquilo e confiante.


