Milão, 21 (AE) - Abraçar o filho Ronald, a mulher Milene e comer um prato de arroz com feijao preparado pela mãe, dona Sônia. Esses eram os maiores desejos de Ronaldinho ao desembarcar hoje à tarde em Milão depois de 9 dias no hospital Piti Salpetrire de Paris onde foi operado para a reconstrução o tendão do joelho direito. O jogador conseguiu também, como desejava, chegar em casa sem ser visto, protegido pelos funcionários do Internazionale e por seus assessores.
Jornalistas e fotógrafos foram "driblados". A unica imagem possivel foi a das pernas do atacante ao descer da parte traseira do Falcon de propriedade do presidente do clube, Massimo Moratti. "Ele fez questão de subir e descer do avião sozinho, apoiando-se nas muletas, sem a ajuda de ninguém", informou o assessor de imprensa Rodrigo Paiva. Dois automóveis esperaram o atacante ao lado da aeronave. O "jeep Cherokee" com vidro fume dirigido pelo amigo César que levou Ronaldo para casa junto com o pai Nélio e um outro com os assessores de imprensa e o fisioterapeuta Nilton Petrone.
Na pista havia também dois carros da polícia que acompanharam a comitiva até a saida do aeroporto, evitando o portão onde estavam os jornalistas. Assim que entrou em casa, em torno das 17 horas, Ronaldo abraçou e beijou a mulher e o filho fechando-se com os dois em seu quarto. Meia hora depois recebeu a visita do médico do Internazionale, Piero Volpi, para um controle. Antes de subir ao triplex do jogador brasileiro, o doutor Volpi foi parado por um pequeno grupo de torcedores que entregaram a ele um presente para Ronald : um conjuntinho de linha azul com sapatinhos e chapéu. Eram poucos os torcedores à espera de Ronaldinho hoje em Milao. "A sociedade quer preservá-lo e nós respeitamos isso", explicou Fausto Fala, da coordenaçao dos clubes de torcedores. Mas durante os dias em que Ronaldo ficou no hospital parisiense muitas mensagens chegaram diretamente a ele, ao site do Internazionale e principalmente no endereço eletrônico do jornal esportivo "La Gazzetta dello Sport", o mais lido da Itália. Foram milhares de mensagens de apoio e carinho que o jornal colocou num disquete e vai dar de presente a ele. Hoje, para comemorar sua volta a Milão, foi publicada uma síntese das mensagens, inclusive uma de Paulo Roberto Falcão.
Depois de ter passado 9 dias sozinho no hospital, Ronaldo foi acolhido com grande alegria em sua casa de Milão. Alem da mulher e do filho, dos pais e do amigo César, chegou também a irmã com os dois filhos, a família de Nilton Petrone e o ator Bruno de Luca. O humor está bom. "Ele é um cara tranquilo", disse Rodrigo Paiva.
E está bem disposto para continuar a fase atual de recuperação : flexões de 0 a 30° do joelho, 4 vezes por dia sob a supervisao de Petrone. Quanto a uma possivel viagem ao Brasil, não há previsões. "Ele não tem pressa de nada", advertiu Paiva, "a palavra logo está riscada de seu dicionário e todo mundo que gira em torno dele tambem a riscou . Logo e pressa são palavras que a gente não vai usar por muito tempo".

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