O juiz federal de Foz do Iguaçu, Rodrigo Kravetz, decretou a quebra de sigilo bancário do jogador do Inter de Milão, Ronaldinho, para que a Polícia Federal, juntamente com a Receita, possam investigar se o atacante da Seleção Brasileira teria realizado compras milionárias no Paraguai durante sua permanência em Foz. Kravetz não quis falar sobre o caso e determinou que o processo deve ‘‘correr em segredo de Justiça.’’
Durante a Copa América, realizada no Paraguai em julho do ano passado, Ronaldinho teria realizado compras no valor de US$ 28 mil em um shopping de Ciudad del Este, sem pagar o imposto exigido por lei para quem ultrapassa a cota de US$ 150,00. Enquanto esteve em Foz, o jogador negou ter feito compras na cidade paraguaia, mas se contradisse durante entrevista à imprensa, dizendo que havia comprado um relógio de US$ 130,00.
As dúvidas apresentadas no depoimento do atacante levou o delegado da PF em Foz, Jessé Ferry, a solicitar, em 27 de julho, a quebra de sigilo bancário à Justiça. Por determinação do juiz federal, Ferry está impedido de falar sobre o caso, mas comentou ter sido pressionado pelos advogados de Ronaldinho, que ameaçam processá-lo por danos morais. Mesmo intimidado, o delegado disse estar tranquilo. ‘‘Em nenhum momento cometemos qualquer deslize, seja de ordem criminal ou administrativa. Estamos cumprindo nosso dever independente da condição social do investigado.’’
Também estão envolvidos no processo o jogador Cafú e o fisioterapeuta da Seleção Antonio Carlos ‘‘Fil钒, que teriam acompanhado Ronaldinho durante as compras. Há 20 dias, período em que os acusados estiveram novamente em Foz (a Seleção se preparava para a partida contra o Paraguai), eles foram convocados em segredo para prestar depoimento ao delegado, onde novas contradições foram levantadas.
Os investigadores e fiscais da Receita têm 40 dias para concluir o processo. Caso seja condenado por crime de descaminho (contrabando), Ronaldinho poderá cumprir pena que varia de um a quatro anos de reclusão.

mockup