Ronald Biggs vira tema de enredo
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sexta-feira, 16 de janeiro de 1998
Agência Estado Rio de Janeiro 
Otávio Magalhães/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Biggs diante da alegoria do trem pagador: Ai que saudade...O ladrão inglês Ronald Biggs, de 68 anos, foi o grande homenageado na festa que a escola de samba Porto da Pedra promoveu em sua quadra, em São Gonçalo, no Grande Rio, anteontem à noite. Recebido como visitante ilustre, Biggs conversou longamente com a atriz Claudia Mauro, madrinha da bateria da escola e conheceu as fantasias de várias alas. Ele é citado no enredo da Porto da Pedra: Samba no pé e mãos ao alto, isto é um assalto! Biggs ficou famoso depois de roubar milhões de um trem pagador em Londres, em 1963, e de fugir para o Brasil.
A recepção calorosa dos diretores da escola deixou Biggs constrangido. Estou estranhando esse tratamento: ora, eu sou um ladrão, disse, após algumas doses de uísque e abraços de admiradores. Ele admitiu que poderá desfilar na Porto da Pedra, que, de acordo com o carnavalesco Mauro Quintaes, vai dar um grito de alerta contra o crescimento da criminalidade no País. Biggs reconheceu o erro e não voltaria a cometê-lo, afirmou Quintaes.
Em companhia do amigo inglês John Pickston, Biggs parecia bem à vontade e chegou a contar numa roda de componentes da escola que já foi assaltado uma vez no Rio, onde vive desde 1970. Levaram meus documentos e o dinheiro do bolso da camisa, lembrou. Mas como todo ladrão merece perdão não fiquei chateado. Ontem pala manhã, ainda entusiasmado com o sucesso da visita, ele conheceu o barracão da escola e viu o carro alegórico que representa o trem pagador. Ai, que saudade que me dá, ironizou.
No fim de novembro do ano passado o governo da Grã-Bretanha pediu formalmente ao Brasil a extradição de Biggs. Uma semana depois, o governo brasileiro desistiu de pedir a prisão preventiva de Biggs, condenado a 30 anos pela justiça da Grã-Bretanha. O Ministério da Justiça, que encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de extradição, vai esperar a decisão.


