O ‘‘cérebro’’ do famoso roubo do século, a um trem pagador em 1963 na Grã-Bretanha, Ronnie Biggs, 71 anos, exilado no Brasil, enviou uma mensagem à polícia britânica manifestando seu desejo de voltar para casa e enfrentar a Justiça, informaram ontem fontes da Scotland Yard.
‘‘Gostaria de me entregar’’, escreveu Ronnie Biggs do Rio de Janeiro à Scotland Yard, num e-mail datado de 2 de maio, e que ontem foi publicado pelo tablóide popular The Sun. ‘‘Tudo o que preciso é um passaporte para poder ingressar na Grã-Bretanha’’, acrescenta.
Ronnie Biggs foi detido em 1964 e condenado a 30 anos de prisão por ter assaltado o trem pagador noturno que cobria o trajeto Glasgow-Londres, e ter se apoderado da soma recorde de 2,6 milhões de libras, cerca de US$ 76 milhões.
Biggs espera a clemência da Justiça, por sua idade e estado físico, para não cumprir a totalidade dos 28 anos de prisão que lhe restam pendentes em seu país.
Biggs organizou e realizou, à frente de um bando eclético de 15 homens que incluía, entre outros, um florista e um piloto de corrida, um dos roubos mais audazes da história: o assalto ao trem pagador Glasgow-Londres em agosto de 1963. Sua evasão da prisão de Wandsworth, um ano depois de ser detido, saltando sobre um caminhão, seria o início de um itinerário incrível marcado por alguns lances de sorte.
Depois de uma passagem pela França, onde mudaria o rosto graças a uma operação de cirurgia plástica, Biggs foi da Espanha à Austrália, antes de atravessar a selva até Argentina e Bolívia, e estabelecer-se em 1970 no Brasil, país que não tinha subscrito um tratado de extradição com Grã-Bretanha. Em 1974, a polícia o localizou no Rio. Mas Biggs escapuliu de novo, esta vez porque seu filho, nascido no Brasil, lhe protegia da extradição.
Em 1981, um bando de mercenários o sequestrou no Rio com o objetivo de devolvê-lo à Grã-Bretanha: encerrado em um saco com a inscrição ‘‘serpente viva’’, foi transportado de navio até Barbados, onde foi entregue às autoridades locais. Mas devido a um erro jurídico, a demanda de extradição não foi aceita e a Justiça de Barbados devolveu Biggs ao Brasil.
Ontem, o advogado de Ronald Biggs, Wellington Mousinho Lins, afirmou que se trata de uma ‘‘fanfarronada’’ da imprensa inglesa a informação segundo a qual Ronnie, quer voltar para casa. ‘‘É uma fanfarronada’’, assegurou Mousinho Lins. ‘‘Nos últimos seis meses de 1997, nós trabalhamos no Supremo Tribunal Federal (STF), a principal instância da Justiça do país, para impedir a extradição de Biggs’’, disse.

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