Uma pequena queda e o taxista Rubens Tessaro, de 67 anos, rompeu os tendões na região do ombro direito. A ocorrência é relativamente comum, principalmente para quem já passou dos 55, explica o ortopedista e fisiatra Jonas José Blanco, de Londrina. Mas se não for diagnosticada a tempo - alerta - pode causar danos, como a perda de força ou de movimento no braço.
O ortopedista explica que o tendão funciona como um ''elástico'' entre o músculo e o osso. Assim, para movimentar braços e pernas, o músculo se contrai, puxa o tendão e o osso se movimenta. Quando a pessoa é jovem, o tendão é forte e resistente, e vai perdendo isso com o envelhecimento do corpo. Daí, fica ''fácil'' com uma pequena queda ou esforço, ou mesmo espontaneamente, o tendão se romper.
''A exceção fica por conta de esportistas, que, mesmo jovens, têm um desgaste maior do tendão'', ressalta Blanco. Caso, por exemplo, do jogador de vôlei da seleção brasileira Nalbert, que em março do ano passado passou por uma cirurgia no tendão do ombro esquerdo, e, só depois de cinco meses de recuperação, voltou a jogar e conseguiu participar das Olimpíadas.
Mesmo a musculação, quando não bem orientada por um profissional de educação física, pode ''ser extremamente prejudicial'' aos tendões - alerta o ortopedista. ''É aquela coisa - se não faz, atrofia. Se faz demais, rompe o tendão pelo excesso. O bom é o meio termo'', recomenda.
No caso do taxista, foi uma brincadeira que ocasionou a queda e o rompimento do tendão. ''Saí correndo por brincadeira do ponto de táxi onde trabalho, bati o pé no meio-fio, tropecei e caí no quebra-molas em cima do ombro. De lá não levantei mais'', lembra.
Com Rubens, a lesão foi séria - ele rompeu todos os tendões do ombro, dos músculos supra e infra-espinhal, e do músculo redondo menor, e precisou passar por uma cirurgia para ''religá-los''.
Mas, como na maioria das vezes as pessoas não sofrem uma queda ''grave'' e o raio X não aponta nenhum osso quebrado, é comum as pessoas ''deixarem para lá''. ''Se fosse só um ou dois tendões rompidos, provavelmente ele (Rubens) não procuraria ajuda'', pondera o médico. O problema desse comportamento é ficar sem tratamento adequado e o quadro se agravar.
O ortopedista orienta a procurar atendimento médico o mais rápido possível quando a pessoa ficar com dores por mais de três dias. Um sinal característico é a dor noturna. Outro indício de que pode ter havido ruptura do tendão é a perda de força. A lesão só é visualizada através de ultrassom ou ressonância. ''Quanto mais cedo operar, melhor'', orienta Blanco.
O taxista sofreu com dores (''a dor é horrível'') e não conseguia segurar o braço estendido. ''Ele não conseguia segurar o braço nessa posição (estendido), o braço caía'', lembra o médico. Depois da cirurgia, o taxista ficou seis semanas com uma tipóia e hoje passa por tratamento fisioterápico. ''Se não tivesse procurado ajuda rápido poderia ter tido sequelas'', afirma Blanco. O índice de recuperação com a cirurgia, aponta o ortopedista, é de 90%.

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