Rompimento do Ortopédico com SUS sobrecarrega unidades
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quinta-feira, 06 de junho de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina O encerramento do atendimento de pacientes do SUS por parte do Hospital Ortopédico sobrecarregou o trabalho dos demais hospitais de Londrina e tem causado superlotação nos prontos-socorros (PS). Outro problema enfrentado pelos pacientes é a espera de vários dias por cirurgias emergenciais.
O Ortopédico rompeu com o SUS em 20 de abril. De lá para cá o número de pacientes à procura de atendimento de urgência e emergência no Hospital da Zona Norte (HZN), por exemplo, triplicou.
"Com o aumento das internações, um dos ortopedistas já pediu exoneração pelo excesso de trabalho e outro, que está em férias, já informou que não deve continuar", revela o diretor-geral do HZN, Diego Janesch.
No Hospital Evangélico, o número de atendimentos de ortopedia e trauma de pacientes do SUS aumentou de 82 em março para 144 em maio, um crescimento de 75%. Já no Hospital Universitário (HU), no período de 20 de março a 20 de abril foram 118 atendimentos, contra 145 entre 20 de abril e 20 de maio: um aumento de 22%.
O HU informa que não dá para mensurar se este crescimento foi em virtude da suspensão de atendimentos pelo Ortopédico.
A Santa Casa está sem ortopedista no plantão do PS desde 1º de abril. Os médicos discutem com a direção do hospital um reajuste no repasse pelos atendimentos do SUS. Até o mês de março, a instituição contava com 13 ortopedistas no PS.
Atualmente o HZN tem apenas seis ortopedistas, que fazem escala de terça a sexta-feira. Os médicos conseguem, em média, realizar entre duas e três cirurgias por dia. "No sábado e no domingo, como temos anestesistas somente até ao meio-dia, é possível fazer apenas uma cirurgia por dia. Dependemos também se não há cirurgias de outros setores", explica Janesch.
Sete pacientes estavam internados anteontem aguardando operações no HZN. Os pacientes reclamam da demora e da falta de uma previsão para a realização dos procedimentos. "Estou internada desde o dia 20. Aqui é sempre um problema. Um dia falta médico, outro não tem material. É uma agonia ficar aqui sem saber quando será feita a cirurgia. O problema é que não posso esperar em casa senão perco a vaga", revolta-se Sylmara Rocha Silva, de 32 anos, que precisa colocar um pino no tornozelo direito após sofrer uma queda de moto.
Nazor Santos, de 50 anos, fraturou o braço em uma partida de futebol e também está há mais de uma semana internado aguardando a marcação da cirurgia. "Tem duas pessoas na minha frente. Estou sem trabalhar este tempo todo. Só depois da cirurgia é que vou conseguir apresentar o atestado. O pior é que tem gente em situação mais complicada que a minha. Tem um senhor de 89 anos aguardando a operação de uma fratura no fêmur", conta Santos, que trabalha como montador em uma ótica.
Diego Janesch ressalta que os pacientes precisam aguardar internados para não perder a vaga de urgência. "Se eles forem para casa terão que entrar na fila das cirurgias eletivas e a fila de espera é muito maior, neste caso." O diretor do HZN admite que a situação não é a ideal.
"A internação no hospital traz um custo alto de manutenção para a entidade e para o SUS, além do desconforto do paciente. Sem falar no risco de infecção hospitalar, por exemplo", acrescenta Janesch. "Nós não estamos doentes, mas daqui a pouco de tanto ficar aqui dentro vamos ficar", frisa Sylmara.
O secretário municipal de Saúde, Francisco Eugênio Alves de Souza, admite que a cidade passa por um período de turbulência no atendimento de ortopedia. Ele acredita, no entanto, que o início do funcionamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Sabará (zona oeste), prevista para a próxima segunda-feira, vai melhorar a situação.
"A UPA terá uma equipe de ortopedistas e poderá atender os casos que não forem cirúrgicos. A unidade receberá também os casos de emergência e urgência e, nas situações mais graves, os pacientes serão encaminhados para os hospitais maiores", afirma. Souza afirmou ainda que espera que o pronto-socorro da Santa Casa volte a atender os casos de ortopedia nas próximas semanas.


