Rompida negociação sobre orçamento da reforma agrária
Agência Estado
De Brasília
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) rompeu ontem as negociações com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sobre a recomposição do orçamento da reforma agrária e ameaçou jogar duro contra o governo. Um dos coordenadores nacionais do movimento, Gilberto Portes, disse que o governo retrocedeu nas propostas discutidas com o presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 8.
Um grupo de representantes do MST se reuniu ontem com técnicos do Incra para ouvir as propostas definitivas do governo. Durante a reunião, a terceira depois da audiência com o presidente, o MST deixou a sala e anunciou o rompimento das negociações por entender que a proposta do governo é um retrocesso.
O Incra apresentou no início da noite vários itens que aponta como avanço na negociação com o MST. O Incra aceitou fazer pesquisa no País, com a participação dos movimentos, para definir novo valor para o crédito de habitação, aumentar os recursos de infra-estrutura de R$ 83 milhões para R$ 130 milhões, aumentar os recursos para instalação e criar 250 novas equipes de assistência técnica no País.
De acordo com Gilberto Portes, do MST, FHC não falou em valores ao anunciar a recomposição do orçamento. Mas a direção do movimento entende que, ao anunciar a disposição em elevar o valor do dinheiro para a reforma agrária, Fernando Henrique sinalizou que seria possível ultrapassar o valor do orçamento para este ano.
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse que vai recompor o orçamento original da reforma agrária este ano, de R$ 1,4 bilhão para R$ 2,2 bilhões, mas afirmou que não será possível atender à proposta de recomposição do MST, que atinge R$ 3,7 bilhões. Jungmann disse que a promessa foi de recompor o orçamento já aprovado pelo Congresso. Este ano não existe a possibilidade de superar isso, disse, se referindo aos R$ 2,2 bilhões.





