Paris, 27 (AE) - A visita do presidente romeno, o democrata- cristão Emil Constantinescu, a Paris vem lembrar que a Rússia, corrupta e nauseabunda, de Boris Yeltsin, não é mais o único país do Leste a comportar-se mal.
Apesar disso, a Romênia conquistou há seis meses a amizade do Ocidente por ocasião da Guerra de Kosovo. Na realidade, embora os romenos tenham uma simpatia natural pelos sérvios, o governo de Bucareste não duvidou em aprovar e até ajudar a ação da OTAN sem a menor hesitação.
Esta escolha difícil em favor do Ocidente teve consequências muito felizes. Em meados deste ano, em Bucareste, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, garantiu seu apoio à Romênia. O rei da Noruega e depois o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, fizeram o mesmo. E Jacques Chirac, que hoje recebeu a visita de Constantinescu, foi o primeiro chefe de Estado a "patrocinar" a candidatura da Romênia à União Européia.
Contudo, esta candidatura enfrenta dois obstáculos. O primeiro é econômico. Dez anos após o fim de Nicolae Ceausescu, a Romênia não renunciou aos malefícios da era estalinista. Setenta por cento da economia continuam sendo controlados pelo Estado . Foram realizadas algumas tentativas de privatização, mas de forma tão sinistra que acabaram todas em fracassos.
Basta um número para mostrar a magnitude deste desastre econômico: na Romênia, que conta 23 milhões de habitantes, os investimentos estrangeiros chegam a apenas US$ 4 bilhões em dez anos. A Hungria, outro antigo Estado comunista, com duas vezes menos habitantes, atraiu US$ 25 bilhões de investimentos estrangeiros nesse mesmo período!
A Romênia continua também num estado social tão deplorável quanto na época de Ceausescu. Um símbolo desta decadência são os orfanatos.
Sob o regime de Ceausescu, os orfanatos romenos já eram a vergonha dos países do Leste. Depois disso, não houve nenhuma melhoria. Este país conta com 147 mil crianças órfãs em condições precárias: com muita frequência sem água e sem energia elétrica. Não existe pessoal especializado. Os prédios são infames. Ninguém para amar ou dar segurança a estas crianças sem pai nem mãe. Um inferno. Todas as testemunhas o afirmam. Todas as organizações internacionais lançam gritos de alarme diante do martírio dos órfãos romenos. As autoridades romenas afirmam que não têm dinheiro para resolver o problema.
Além disso, os poucos alimentos, medicamentos e cuidados dedicados aos órfãos não vêm da própria Romênia, mas precisamente desta União Européia na qual a Romênia deseja ardentemente ingressar. Mas, em face da inércia dos romenos diante deste desastre humanitário, aumenta a cólera em Bruxelas. Alguns representantes da UE estão tão indignados a ponto de afirmar que as condições às que estão submetidos os órfãos romenos poderão retardar a aceitação da candidatura de Bucareste à União Européia.

mockup