Em Maringá, entidades e movimentos ligados à ética política e aos direitos humanos anunciaram ontem o pedido oficial de cassação do governador Jaime Lerner (PFL) durante a 12ª edição da Romaria do Trabalhador. Promovida pela Arquidiocese de Maringá, a romaria foi realizada este ano em Mandaguari (33 quilômetros a leste de Maringá) com a participação de mais de três mil pessoas.
Segundo o coordenador do Movimento em Defesa do Patrimônio Público de Maringá, Alberto Abrão Vagner da Rocha, a petição será assinada por entidades e movimentos de todo o Paraná para ser entregue no dia 13 de junho, na Assembléia Legislativa, durante a ‘‘Marcha dos 50 Mil’’. Rocha explicou que o resultado do Tribunal Internacional dos Crimes de Latifúndio, instalado ontem em Curitiba, também servirá de subsídio para a petição. O tribunal fará julgamentos simbólicos de crimes cometidos pelo governo do Estado.
O coordenador disse que o pedido de cassação vai trazer um perfil econômico do Paraná, cujos dados são considerados atípicos quando comparados com os demais estados brasileiros. ‘‘Temos informações que mostram que a falência do Estado é uma consequência direta da má gestão administrativa do governador Jaime Lerner’’, ressaltou Rocha. Ele citou a dívida pública do Estado hoje, conforme o movimento, em R$ 16 bilhões e que, segundo o coordenador, era de R$ 1,5 bilhão quando Lerner assumiu a primeira gestão em 1995. O governo afirma que o valor da dívida é de R$ 7,5 bilhões.
Conforme Rocha, a petição pretende classificar de ‘‘irresponsável’’ uma série de atitudes do governador como a atual campanha para venda da Copel. A Assembléia Legislativa só pode analisar um pedido de cassação se a maioria dos deputados aprovar a abertura de uma Comissão Processante. ‘‘Vamos ter votos garantidos porque, hoje, até os deputados aliados estão percebendo que não dá mais para sustentar um governo sem legitimidade’’, afirma Rocha.
Panfletagem Cerca de duas mil pessoas participaram da manifestação pelos direitos trabalhistas em Foz do Iguaçu. A passeata começou em um bairro da região sul e encerrou na BR-277, com a entrega de panfletos. Realizada pelo 8º ano consecutivo, a Romaria do Trabalhador teve a participação de sindicatos, pastorais da Terra e do Migrante, do Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra e entidades assistenciais da cidade.(Marta Medeiros, de Maringá e Emerson Dias, de Foz do Iguaçu)

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