Taubaté, SP, 05 (AE) - A romaria do Grito dos Excluídos completou neste domingo 151 quilômetros de caminhada pela Via Dutra rumo ao Santuário Nacional de Aparecida. O grupo recebeu o reforço de mais 80 pessoas, saltando para 230 integrantes. Uma missa foi celebrada hoje na catedral de Taubaté para mais de 800 pessoas como um dos atos prévios ao grande protesto marcado para o Dia da Independência. A previsão dos organizadores do evento é levar 80 mil manifestantes o pátio externo da basílica, onde acontecerá o ato. "Nas próximas horas estaremos recebendo outros companheiros ", comentou o coordenador da romaria, João Batista de Lima.
O culto teve a participação do bispo de Taubaté, dom Carmo Rhoden, e foi celebrado pelo coordenador diocesano das pastorais da cidade, padre Antonio Donizetti Sgarbi. Ambos chamaram atenção para a crise no emprego gerada pela política neoliberal do governo Fernando Henrique Cardoso. O lema do grito
"Brasil, um filho teu não foge a luta" foi abordado por diversos ângulos, entre eles o crescimento da exclusão pela miséria e desemprego.
A homília, proferida pelo padre Sgarbi, também chamou a atenção da comunidade para a importância de participar do protesto contra as regras econômicas e o agravamento das injustiças sociais com a prática do neoliberalismo. No sábado, a Igreja promoveu na praça da catedral de Taubaté uma prévia do Grito dos Excluídos e conseguiu a participação de vários populares que passavam pelo local, alguns deles chegaram a dar depoimentos espontâneos contra a política econômica do governo federal.
O ponto alto do ato da próxima terça-feira será a missa da Romaria dos Trabalhadores, às 10 horas, que deverá ser conduzida pelo arcebispo de Aparecida dom Aloísio Lorscheider. Em seguida, por volta do meio-dia, acontece o Grito dos Excluídos na parte externa do templo. O evento já teve a participação em edições passadas de personalidades da América Latina, entre eles o prêmio Nobel da Paz, o argentino Adolfo Perez Esquivel.
Os romeiros terão que cumprir ainda 49 quilômetros até o santuário. Eles deixaram a Dutra e seguirão por 28 quilômetros em uma estrada secundária até o distrito de Moreira César. No dia do evento, o grupo retorna para Via Dutra e percorre o trajeto final até a basílica quando se encontra com as caravanas vindas de outras cidades e regiões do País. O protesto terá a participação de lideranças religiosas e do meio político. Aparecida espera receber neste feriado prolongado cerca de 200 mil fiéis, muitos deles estão se dirigindo a estância religiosa para acompanhar o ato político-religioso.

mockup