Salvador, 26 (AE) - A Romaria Penitencial ao Bonfim atraiu mais de 150 mil pessoas às ruas da capital baiana na manhã de hoje, de acordo com os cálculos da Arquidiocese de Salvador e Polícia Militar. Criada em 1990, pelo ex-arcebispo Lucas Moreira Neves, como uma espécie de resposta da igreja à Lavagem do Bonfim, festa profana que mistura carnaval com manifestação dos adeptos do Candomblé, a romaria, ao longo dos anos, se transformou na maior festa popular organizada pela Arquidiocese de Salvador.
Esse crescimento fez com que os integrantes da comissão da Cúria Metropolitana, responsável pela romaria, fizessem um apelo ao governo e à prefeitura, para que dêem, nos próximos anos, o mesmo tratamento dispensado ao carnaval. "Há três anos que o Estado nos nega ambulâncias e a prefeitura se recusa a enviar fiscais para ordenar o comércio de ambulantes, o que é temerário pela quantidade de pessoas do evento", reclamou Raimundo Moreno, da comissão organizadora, principalmente por causa da grande quantidade de fiéis que precisaram de atendimento médico em consequência do calor. As pessoas foram atendidas pelas ambulâncias do Hospital Santo Antonio, das Obras Sociais de Irmã Dulce e algumas da prefeitura, mas ninguém teve nada de grave.
Este ano, o arcebispo Geraldo Majella Agnelo decidiu celebrar a missa antes do inicio da caminhada de oito quilômetros, entre a Igreja dos Mares e a Igreja do Bonfim. A mudança ocorreu porque as pessoas chegam exaustas até a Colina do Bonfim e se dispersavam durante a missa que encerrava o evento. No final da romaria, Dom Geraldo deu uma benção e junto com os padres, aspergiu água benta nos fiéis. Na festa de ontem, a Arquidiocese abriu a Igreja do Bonfim, ao contrário da Lavagem. Na festa profana, as portas do templo ficam fechados e as "baianas", todas iniciadas no Candomblé, lavam o adro e as escadarias da igreja em homenagem a Senhor do Bonfim, sincretizado como Oxalá pelo culto afro. Três carros de som animaram a multidão durante o cortejo para o qual foram convocados os fiéis das 98 paróquias da cidade. Ao longo do percurso, em meio a cânticos sacros e rezas, os padres tomavam a confissões das pessoas andando.