Rolândia adota hidroxicloroquina para tratamento de síndrome gripal
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segunda-feira, 25 de maio de 2020
Viviani Costa - Grupo Folha 
A Prefeitura de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) definiu critérios específicos para prescrever hidroxicloroquina aos casos suspeitos de síndrome respiratória gripal e Covid-19. Três pacientes com síndrome respiratória gripal estavam em isolamento domiciliar fazendo uso do medicamento. Nesta segunda-feira (25), a reportagem apurou que os pacientes encerram o tratamento, conforme informou o prefeito Luiz Francisconi Neto (sem partido).

Quem apresenta sintomas é atendido na unidade básica de saúde da região central. Porém, conforme Francisconi Neto, o tipo de tratamento não é indicado para todos os pacientes. A combinação de hidroxicloroquina e azitromicina é receitada apenas para quem apresenta sintomas classificados entre leve e moderado para a doença.
"Como nós não temos os testes, nós recebemos poucos do Estado e os preços aumentaram muito, inviabilizando a compra, definimos no nosso protocolo de atendimento aqueles pacientes com sintomas um pouco mais exacerbados como febre alta, tosse persistente, quadro um pouco mais avançado e que se encaixasse nos critérios de idade avançada e/ou comorbidades", detalha.
O protocolo teve início há três semanas. A procura por atendimentos tem sido baixa na cidade. Os três pacientes medicados receberam hidroxicloroquina fornecida pela prefeitura e foram orientados a permanecer em casa. Uma equipe da Secretaria de Saúde do município monitora diariamente, por telefone, a situação de cada paciente para verificar a necessidade de reavaliação do quadro.
"A indicação leva em consideração vários fatores, mas os principais são idade, comorbidades e sintomatologia com o qual o paciente se apresenta no momento da consulta. Claro que tem as contra-indicações absolutas, aquelas que o paciente não pode usar de maneira nenhuma, e tem os casos em que a indicação vai estar muito bem alinhada com o protocolo. Ao final da consulta, o paciente será informado e se o paciente consentir, a ele é explicado tudo sobre a hidroxicloroquina, as indicações, possíveis efeitos colaterais, de uma maneira bem clara, e ele precisa consentir assinando um termo", explicou.
De acordo com o boletim epidemiológico, atualizado pelo município nesta segunda-feira (25), apenas seis pessoas tiveram resultado positivo para Covid-19 sendo que quatro destas já são consideradas curadas. O paciente que inspira maiores cuidados permanece internado no HU (Hospital Universitário) da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e há, ainda, outro paciente em isolamento domiciliar. No total, 63 pacientes com suspeita de síndrome respiratória gripal são monitorados pela secretaria, número bem maior do que o registrado na semana passada - 11, uma vez que os casos considerados leves passaram a ser acompanhados, explicou Francisconi.
"Mudou a sistemática de acompanhamento, só dos casos graves para todos que chegam ao posto", lembrou. No entanto, Francisconi ressalta que faltam testes para diagnosticar novo coronavírus. "Se a gente for pensar no protocolo proposto de hidroxicloroquina e azitromicina, que é o tratamento precoce feito entre o segundo e o quinto dia de sintomas, não tem como a gente fazer o teste porque o teste rápido só tem resultado após o sétimo dia de sintomas. O teste que teria validade seria o RT-PCR e esse é mais caro ainda. Então definimos também que só vamos utilizar os testes para alguns casos. Os pacientes que foram tratados e que retornam com sintomas novamente, quem recebeu tratamento e não evoluiu para melhora faz o teste. Temos alguns exames laboratoriais que podem definir um pouco mais para coronavírus. O médico pode pedir esses exames quando tiver a suspeita e aí, se confirmado, há um exame a mais para reforçar o diagnóstico."
O prefeito, que também é médico especialista em otorrinolaringologia, afirma que a hidroxicloroquina pode ser receitada apenas no início da doença para reduzir a carga viral no organismo do paciente.
"A doença é muito pouco conhecida. Nós temos aí seis meses para somar vários trabalhos e pesquisas em andamento e fazer um compilado dessas informações todas que apareceram. Temos três fases da doença: a primeira fase que vai até o quinto ou sexto dia que é a fase da replicação viral, quando o vírus entra no organismo e começa a se multiplicar; a segunda fase é a inflamatória que começa entre o sexto e o sétimo dia; depois tem a fase da síndrome respiratória aguda grave que pode começar entre o sétimo e o décimo dia. Nessas duas últimas fases não adianta mais usar a hidroxicloroquina. Já é um quadro um pouco mais grave. Na terceira fase, a chance de óbito aumenta bastante."
Conforme Francisconi, a hidroxicloroquina é um derivado menos tóxico e mais eficiente da cloroquina. "A farmacologia da cloroquina tem ação antiviral e anti-inflamatória, tanto que ela é usada para doenças do colágeno como lúpus e artrite reumatoide. O Remdesivir é muito caro, ainda não está disponível e, pelo preço que se cogita no mercado, ele será inviável para a classe mais pobre. A cloroquina é muito barata. Um tratamento com hidroxicloroquina e azitromicina por cinco dias fica menos de R$ 40. Estima-se que o tratamento com o Remdesivir fique em torno de US$ 5 mil.
"Você tem uma droga que não tem mais patente e que pode ser produzida por qualquer laboratório do mundo. A cloroquina é muito conhecida entre os médicos brasileiros. É usada para malária há 74 anos. Nos países em que os trabalhos estão em andamento, os resultados foram bons. Não podemos dizer que isso seja a salvação da pátria. A gente tem que esclarecer para o paciente que o medicamento não é específico para o coronavírus, mas ele tem uma boa ação. Não daria para esperar uma publicação científica sobre isso. A publicação pode sair daqui a um ano. Até lá, a gente pode ter perdido a oportunidade de tratar muita gente."
Os pacientes que concordam com a prescrição de hidroxicloroquina assinam um termo de consentimento e dão início ao tratamento por cinco dias na combinação com comprimidos de azitromicina.
O Ministério da Saúde incluiu a cloroquina e a hidroxicloroquina no protocolo de tratamento para pacientes com sintomas do novo coronavírus. Médicos e pacientes podem definir se adotam ou não o medicamento para alívio dos sintomas da doença.
No modelo do "Termo de Ciência e Consentimento", que deve ser assinado por médicos e pacientes para o início do tratamento, consta que "não existe garantia de resultados positivos para a Covid-19 e que o medicamento proposto pode inclusive apresentar efeitos colaterais". "Estou ciente de que o tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina associada à azitromicina pode causar os efeitos colaterais descritos acima e outros menos graves ou menos frequentes, os quais podem levar à disfunção de órgãos, ao prolongamento da internação, à incapacidade temporária ou permanente e até ao óbito", registra o documento.
O Ministério da Saúde já intensificou a produção do medicamento nos laboratórios em todo o País e negocia a compra do princípio ativo.(Colaborou Vitor Struck)


