Rio, 04 (AE) - O fotógrafo Rogério Reis trabalhou no desfile das grandes escolas de samba desde os anos 70, mas cansou-se do que considera a mesmice do espetáculo coreografado e compactado. No início desta década saiu pelas ruas do Rio registrando a criatividade popular, garimpando foliões solitários ou em grupos. O resultado é a coleção Carnaval de Lona, com mais de 300 fotos, da qual ele escolheu 16 para expor, a partir do dia 9, na Galeria Cerebelo, no Estacão Ipanema, no Rio.
O nome da mostra vem do "estúdio" que Rogério monta na rua para fotografar seus personagens. Para evitar a sujeira visual comum às fotos de carnaval, ele prende uma lona a uma banca de revista e as pessoas posam debaixo dela. Geralmente, a relação do modelo com o fotógrafo é animada e muitos até se produzem para o registro, como é o caso do Homem árvore, cuja foto acabou no Fogg Museum da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Reis costuma escolher seus personagens em três regiões. Na zona sul, na Banda de Ipanema, onde os gays fazem um carnaval cada vez mais sofisticado e animado. No centro da cidade ele encontra os foliões que criticam ou satirizam os fatos da pol‹tica e economia do País. "Aposto que esse ano vai haver muita gente fantasiada de Malan, FMI ou Itamar." E, na zona oeste, nos bairros de Santa Cruz e Campo Grande, ele encontra o carnaval rural, dos clóvis improvisados, criação tipicamente carioca.
No início, os foliões se m,ostravam tímidos ao serem fotografados, mas Reis venceu pela insistência. "Hoje, como já sou conhecido, as pessoas não oferecem mais resistência quando peço para fotografar e até me procuram", diz Rogério. "Como tenho mais de 300 fotos acumuladas em oito anos de trabalho, acabo fazendo um retrato meio antropológico do carnaval ou relembrando fatos e épocas do nosso passado de acordo com as fantasias que as pessoas escolhem para sair."
Nesta mostra, Rogério escolheu as fotos que foram compradas por acervos de museus como o de Arte Moderna (MAM), do Rio, o de Arte de São Paulo (Masp) e da Universidade de Harvard. Além disso, ele planeja publicar as fotos num livro. "Já recebemos o cadastro da Lei Rouanet e agora vamos correr atrás de patrocínio para a edição, que não é barata."

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