São Paulo, 4 (AE) - Os problemas na Via Dutra continuaram hoje tumultuando as rodoviárias de Rio e São Paulo. O movimento foi grande a Rodoviária Novo Rio, que havia suspendido a venda de passagens no dia anterior por causa da interdição da Via Dutra, causada por um alagamento no km 330 da pista sentido Rio-São Paulo. As quatro empresas que operam no terminal colocaram cerca de 10 ônibus extra à disposição dos passageiros.
Mesmo assim, alguns passageiros embarcavam, pela manhã, em ônibus clandestinos. "Foram mais de 40 ônibus piratas para São Paulo desde a noite de domingo", afirmou o proprietário de um dos veículos.
A Polícia Militar havia reforçado em dez homens o efetivo no local, mas apenas um ônibus clandestino foi apreendido.
De acordo com as empresas rodoviárias, as viagens para São Paulo, durante a tarde, estavam demorando, em média, duas horas a mais que o tempo normal, de seis horas. Nesse horário, a concessionária Nova Dutra registrava 12 quilômetros de engarrafamento na pista sentido Rio-São Paulo da Via Dutra.
O cenógrafo Espedito Nascimento Araújo, de 43 anos, chegou a embarcar na noite de domingo para São Paulo, mas teve de retornar ao Rio por causa da interdição da pista. "O ônibus saiu às 23h30 de domingo, chegou de volta às 13h30 de segunda e só consegui passagem para a tarde de hoje", disse ele, que mora na Barra Funda. "Tinha que estar ontem em Santo André, preciso trabalhar."
Sônia Cristina Costa, de 39 anos, veio com as três filhas para assistir os fogos na Praia de Copacabana. "Estou desde o fim de semana tentando voltar para casa."
Em São Paulo, a maioria dos passageiros que chegavam do Rio diziam saber do problema, mas não ter outra escolha além de enfrentar o congestionamento. Quem vinha de outras cidades acabou sendo surpreendido pelo problema.
A empregada doméstica Neilde Alves, de 38 anos, não sabia o que fazer com as caixas que trouxera de Vitória. A viagem deveria ter terminado às 10 horas, mas passava de 12h15 quando ela desceu do ônibus. "Não sei se tem alguém me esperando e como vou chegar no Butantã." Além do atraso, seu problema de encontrar algum rosto conhecido era maior por causa de mudanças adotadas pelo Terminal Rodoviário do Tietê.
Para evitar confusão no desembarque, algumas empresas, entre elas a que trazia Neilde, passaram a soltar os passageiros nas plataformas de embarque. Ela não sabia disso e durante a viagem também não soube o que ocorria. "Ninguém falou nada." O casal Jean Mario e Rosane Lisboa, de 23 e 24 anos, também ficou incomodado com o atraso e preocupado em como chegar com o filho Ian, de 1 ano, à região do ABC. Alguns passageiros que chegavam do Rio reclamavam do tempo perdido. "Passei a noite num moquiço", disse a artesã Giovana Maria das Neves, de 25 anos. Ela voltaria para São Paulo anteontem, mas os cancelamentos de viagens por causa dos problemas na estrada obrigaram-na a passar a noite no Rio.
Para a fotógrafa Ursula Bojes, de 68 anos, o cancelamento de viagens foi uma graça. Ela foi até a rodoviária ontem, mas não conseguiu embarcar. Voltou para casa e ficou sabendo do tamanho do problema do qual se livrara. Ontem, ela ria da sorte. "Correu tudo bem."