São Paulo, 11 (AE) - O único instrumento disponível para aliviar o trânsito de São Paulo de imediato é impopular: o fatídico rodízio. "Dentro de mais um ano, não vamos escapar de aumentar pelo menos mais um dígito por dia", prevê o consultor do Instituto de Engenharia Adriano Murgel Branco, ex-secretário estadual dos Transportes. "A solução é paliativa e visa diminuir os transtornos enquanto o governo não se esforça para melhorar o transporte público."
Com o rodízio municipal de veículos, adotado desde 1997, 20% da frota da cidade deixa de circular nos horários de pico, de acordo com o número final da placa. "No início, em algumas vias, isso permitiu aumentar a velocidade em até 50%, mas o número não se está sustentando por causa da priorização do transporte individual", alerta o especialista.
Por isso ele reitera que só investimentos na Companhia do Metropolitano (Metrô), nos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e nos corredores de ônibus poderiam reverter, a longo prazo, os constantes quadros de lentidão. Mas seria preciso dispor de muito dinheiro, algo estimado em R$ 3 bilhões por ano, para concretizar as melhorias em dez anos.
"Abrir vias em vez de aplicar em transporte de massa significaria gastar mais; e, fatalmente, os novos percursos estariam saturados em dois anos", avalia, quando questionado sobre o alargamento e construção de novas vias como solução para o trânsito.
Sem milagres - Professor do Departamento de Engenharia de Transporte da Escola Politécnica da USP, Cláudio Barbieri da Cunha é mais fatalista. "Não há milagres", sentencia. Mesmo medidas antipáticas como pedágios urbanos e cobrança de estacionamento no Centro só são viáveis quando a população tem como opção um bom transporte de massa, explica. "Aqui a realidade é outra e essas práticas não funcionariam."
Cunha cita ainda o Rodoanel, que deve desafogar o trânsito das Marginais. "Estamos na expectativa, mas é necessário trabalhar o transporte como um todo, senão de nada adiantará", diz. "O sistema viário tem crescido muito lentamente em relação à frota porque o custo das indenizações é muito alto; e isso é impensável numa cidade em que 50% das pessoas se deslocam de carro. "
Apesar de considerar o discurso repetitivo, Cunha acha que a solução é atrair de volta parte desse grupo que prioriza o transporte individual com bons serviços. "E aí caímos de novo na história da falta de investimentos no setor e na despreocupação dos governantes."

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