São Paulo, 28 (AE) - O rodízio municipal, que estava suspenso desde o dia 1.º em razão das férias escolares, volta a vigorar segunda-feira, quando a maioria das escolas e universidades retoma as aulas. Segundo o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Nelson Maluf El Hage, a operação vai seguir o mesmo modelo dos últimos dois anos. "Não há mudanças previstas", afirma. "Vamos avaliar este segundo semestre para ver se serão necessárias alterações para o ano que vem".
Depois de passar cerca de um mês de "férias" do rodízio, os motoristas vão ter de readaptar-se à restrição de horários e mudar de hábitos. A estudante Mariana Teixeira, de 23 anos, já está preparada para voltar a trocar as chaves do carro com a mãe, às segundas e sextas-feiras. Como ela tem uma rotina atribulada, que começa às 7 horas na academia de ginástica, segue no estágio até às 18h30 e termina após as 22 horas, na faculdade, é a mãe da moça que fica sem carro nesses dias. "Ela até já se acostumou", conta Mariana. "Como trabalha meio período, minha mãe pode sair depois das 10 horas e voltar antes das 17 horas".
O empresário Ademar do Carmo, de 49 anos, dono do restaurante Barbacoa, também não se aperta. É a favor da medida e acha que será fácil readaptar-se. "No dia do rodízio, eu transformo minha casa em escritório", diz. "Resolvo tudo o que posso por telefone e só saio após as 10 horas". À noite, o rodízio não atrapalha tanto. "Atraso minha volta para casa". Na sexta-feira, quando seu carro e o de sua mulher têm circulação restrita, os dois aproveitam para fazer um programa. "Nos encontramos para jantar, depois das 20 horas, antes de ir para casa". Multas - Após muitas tentativas de "burlar" o rodízio e três multas, o empresário Tony Racy, de 39 anos, prepara-se para adotar o táxi como transporte. Para fugir dos fiscais, ele evitava as grandes avenidas e procurava ir de sua casa ao escritório, na Vila Nova Conceição, ou ao seu restaurante no Itaim, o Cantone, pelas ruas transversais de Moema, na zona sul. "Acho que perceberam que muita gente estava fazendo isso e começaram a aparecer nas esquinas dessas ruas".
O prejuízo o levou a desistir. "Sou a favor da medida, mas acho um absurdo que uma cidade como São Paulo seja tão atrasada em matéria de transporte coletivo", critica. Enquanto alguns programam a readaptação, o empresário Jorge Mattar comemora a volta da restrição. "Senti falta do rodízio nas férias", diz. "O trânsito ficou muito ruim". Um autêntico workaholic, ele acaba escapando dos horários de pico. "Saio de casa às 6h30 e só volto depois das 20 horas".
Na avaliação do presidente da CET, o trânsito pesado do mês de julho ocorreu porque as férias não provocaram o êxodo de carros que se esperava. "Além disso, tivemos manifestações de motoristas de ônibus e de metalúrgicos, que são atípicas nesta época do ano".

mockup