Rio, 06 (AE) - Numa decisão inédita da Justiça, a Roche foi condenada a indenizar a corretora de seguros Andréa Moura Neves Castro, de 34 anos, por danos morais, por ter interrompido a distribuição de um remédio (Roacutan), tornando sem efeito o tratamento contra acne a que a corretora se submetia. Andréa Castro deve receber 35 salários mínimos (R$ 4.760). A Roche vai recorrer da sentença e se recusa a comentar o assunto antes do fim do processo, segundo sua assessoria de Imprensa.
O Roacutan é um medicamento que provoca efeitos colaterais indicado como último recurso para o tratamento de casos graves de acne. "Eu já tinha tentado tudo", explicou Andréa. Nos dois primeiros meses de uso do medicamento, ela teve furúnculos e erupções no rosto, queda de cabelo, enfraquecimento nas unhas e diarréia. "Fiquei um monstro, não saí de casa por dois meses", conta. Quando o medicamento deveria fazer efeito, sumiu do mercado. A corretora esteve em 22 farmácias à procura do remédio. "Ouvi de todos os farmacêuticos que a Roche havia suspendido a distribuição", contou.
Andréa procurou sua dermatologista, mas foi informada de que não havia substituto para o remédio. E pior: todo o tratamento perdia a eficácia 48 horas depois de interromido o uso do Roacutan. "Foi uma total falta de respeito com quem estava em tratamento", queixou-se a corretora. Justiça - Ao decidir em favor de Andréa, o juiz do 6º Juizado Especial Cível, Cléber Ghelfestein, levou em consideração o fato de Andréa ter arriscado a saúde. Recém-casada, ela não poderia engravidar por um ano. "Já se vê por aí a frustração dela ao interromper o tratamento, já que a substância básica do remédio estava em seu organismo sem mais qualquer utilidade", registra a sentença. "Não é difícil imaginar seu desespero ao ver seu rosto coberto por furúnculos e erupções (...) esse quadro dantesco teve como única responsável a ré (Roche), que interrompeu o fornecimento do produto".
Na ação, a Roche garantiu que não havia interrompido a distribuição do Roacutan. "Eu nunca vi tanto desrespeito", afirmou Andréa. "Na audiência conciliatória eles me ofereceram duas caixas do remédio para desistir da ação, foi aí que decidi seguir em frente". A corretora deve receber ainda R$ 268,66 pelas três caixas do remédio que tomou. Ela decidiu não fazer mais tratamento contra a acne.

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