Robôs vão rastrear mexilhões em hidrelétricas
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quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma nova tecnologia vai ajudar no monitoramento das entradas de captação de água das usinas hidrelétricas da Companhia Paranaense de Energia (Copel). É o robô subaquático, que verificará se há mexilhões dourados entupindo as grades que protegem as entradas. Essa espécie de molusco se reproduz rapidamente e se fixa nas partes das usinas onde o curso da água é mais calmo, prejudicando a entrada da água na rede. O projeto está sendo monitorado pelo Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec) e os dois robôs, que chegaram ontem a Curitiba, foram emprestados do Ministério de Ciência e Tecnologia.
A princípio, apenas as usinas de Foz de Areia (a 100 km de Guarapuava) e Salto Caxias (80 km de Cascavel) serão monitoradas pelos robôs. Ambas são abastecidas pelo Rio Iguaçu, que fica próximo ao Rio Paraná, onde há bastante incidência dos mexilhões dourados. Segundo a gerente do departamento de meio ambiente da Lactec, Sandra Mara Alberti, as duas usinas são a primeira e a última no curso do rio. ''Análises prévias mostraram que não há mexilhões no rio. E, se realmente não houver problemas com essas duas usinas, podemos subentender que as demais também não estão afetadas'', explica. Um dos robôs tem capacidade para ir até 70 metros de profundidade e o outro até 120 metros.
Os robôs são equipados com câmara de vídeo e iluminação. A filmagem pode ser acompanhada em tempo real pelos técnicos que estiveram no barco. Apesar de o equipamento ser pré-programado, os técnicos podem comandá-lo caso queiram ver alguma coisa em específico. Esse monitoramento poderia ser feito por mergulhadores. Contudo, Sandra explica que é um trabalho perigoso por causa da escuridão em baixo da água e a capacidade de permanência do robô é maior do que a de uma pessoa, chegando a duas horas e trinta minutos.
O Lactec já vem desenvolvendo há cerca de um ano um projeto de pesquisa para detectar invasores nas usinas junto a Copel com financiamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do governo federal. Os técnicos do Lactec devem ir ainda hoje para a usina de Foz de Areia e colocar o equipamento na água amanhã. Já no sábado, a usina de Salto Caxias será verificada. Caso encontre-se algum indício do molusco, tanto a Copel quanto a Lactec analisará as melhores ações a serem tomadas. No Estado, a Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, sofre com o problema dos mexilhões dourados desde 2001.


