Robinson critica atrocidades sérvias e ataques da Otan
Genebra, 30 (AE-AP) - A chefe da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, Mary Robinson, condenou hoje (30) as atrocidades cometidas pelas forças sérvias em Kosovo, mas também criticou a Otan por seus ataques aéreos contra a Iugoslávia.
"O que estamos vendo efetivamente é que a guerra se tornou uma ferramenta para a conquista da paz", afirmou Robinson em discurso na sessão de encerramento da conferência da comissão.
"No bombardeio da Otan à República Federal da Iugoslávia, um grande número de civis foi incontestavelmente morto, prédios civis foram atingidos sob alegação de que poderiam estar sendo usados com fins militares e a Otan continua sendo o único juiz do que é aceitável ou não bombardear", disse ela.
Citando números do governo iugoslavo que indicam que 500 civis foram mortos e mais de 4.000 feridos pelos ataques da Otan
Robinson afirmou que a aliança precisa analisar se o uso da força é realmente necessário.
Robinson fez um apelo ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que inclui dois aliados da Iugoslávia - Rússia e China -
para que determine se o prolongado bombardeio é considerado legal sob a Carta da ONU.
A comissária também ressaltou que o tribunal internacional de crimes de guerra, com sede em Haia, está autorizado a investigar as ações da Otan e do movimento separatista Exército de Libertação de Kosovo, bem como as das forças sérvias.
"Crianças, mulheres e idosos sofreram abusos da maneira mais cruel possível", disse Robinson, referindo-se às atrocidades sérvias. "Relatos de mulheres estupradas e idosos caminhando a pé até a fronteira vagam por nossas consciências".
Robinson repetidamente criticou as forças sérvias pela campanha brutal contra os albaneses de Kosovo. Mas este foi o seu primeiro discurso em termos tão fortes contra os ataques da Otan.
Ex-presidente da República da Irlanda, Robinson deverá iniciar neste fim de semana um giro pelos Bálcãs e pretende inclusive visitar Belgrado, a capital iugoslava.
Robinson também pediu que os diplomatas intensifiquem os esforços visando a encontrar uma solução pacífica baseada no respeito aos direitos humanos.





