Washington, 12 (AE) - Aclamado pelo presidente Bill Clinton como "o mais eficaz secretário do Tesouro desde Alexander Hamilton", o primeiro ocupante do posto, Robert Rubin confirmou hoje (12) sua decisão, há tempos esperada, de deixar o governo depois de mais de seis anos em Washington e voltar para Nova York. Como esperado, Clinton afirmou a continuidade da bem sucedida política econômica de seu governo nomeando o atual vice-secretário do Tesouro, Lawrence Summers, para o lugar de Rubin.
Para a vaga aberta pela promoção de Rubin, irá o sub-secretário de Estado para Assuntos Econômicos, Stuart Eizenstat. Summers e Eizenstat dependem de confirmação do Senado e devem assumir seus novos postos antes do feriado nacional de 4 de julho.
A notícia da saída de Rubin provocou um começo de pânico em Wall Street pela manhã que irradiou-se pelos mercados ao redor do mundo. O índice Dow Jones da Bolsa de Nova York chegou a despencar até 213 pontos e os juros dos bônus de 30 anos do Tesouro foram a 5,48%, a taxa mais alta em um ano. Mas o mercado havia recuperado a maior parte das perdas no meio da tarde, quando Clinton fez o anúncio formal da mudança de ministros das finanças dos EUA numa cerimônia no Jardim das Rosas da Casa Branca diante de uma platéia de congressitas dos dois partidos e altos funcionários, entre eles o presidente do federal Reserve, o banco central dos EUA, Alan Greenspan.
"Sentirei falta de sua cabeça fria , sua mão firme, sua mente afiada e seu bom coração", disse Clinton, referindo-se a um Rubin aparentemente surpreso com a homenagem. O presidente destacou o papel central de Rubin na elaboração e na condução do programa que restabeleceu a disciplina fiscal em Washington e criou as bases para o mais longo período de crescimento econômico do país em tempos de paz como índices de inflação, desemprego e ganhos de produtividade que não se viam há três décadas. Clinton creditou ao secretário do Tesouro e à equope que ele montou no Tesouro o sucesso da estratégia americana contra a crise financeira global. "Alguns minutos atrás, antes de vir aqui, estávamos lembrando no Salão Oval de uma conversa que tivemos em janeiro de 1995, às vésperas de Bob Rubin assumir o Tersouro, quando estávamos lidando com a crise no México", contou Clinton. "Naquele momento, nem 11% dos americanos concordavam com a estratégia sugerida por ele e que adotamos, mas hoje está claro que (Rubin) estava certo".
Em seu discurso, o presidente lembrou também que Rubin, um ex-banqueiro de Wall Street, sempre se preocupou com as consequências sociais das decisões econômicas do governo. "Ele se preocupa profundamente com o impacto da economia abstrata nas pessoas comuns", disse Clinton. "Posso dizer-lhes que em todos esses anos, ele sempre foi um dos mais poderosos defensores dos pobres no governo".
Empenhado em dirimir quaisquer dúvidas do mercado sobre a sucessão no Tesouro, o presidente não economizou elogios a Summers. "Ele é brilhante, capaz, um membro crucial da equipe econômica desde o início da administração e, portanto, profundamente conhecedor e mais do que pronto a navegar a nação pelas correntes fortes e às vezes turbulentas da nova economia"
afirmou. "Raramente houve um indivíduo tão bem preparado para ser secretário do Tesouro", disse Clinton.
Rubin, que pretende voltar à vida privada em Nova York, agradeceu a homenagem com a modéstia pessoal que o ajudou a se tornar o mais influente membro do gabinete de Clinton. Ser secretário do Tesouro, disse ele, "foi uma experiência verdadeiramente extraordinária". Ele agradeceu ao presidente pela oportunidade de ter servido seu país e encerrou creditando a Clinton e ao vice-presidente Albert Gore, que é candidato à casa Branca, o méritos do êxito econômico americano. Para Rubin, Clinton e Gore "reposicionaram nosso país no que diz respeito à disciplina fiscal, no que diz respeito à liderança nos temas econômicos internacionais que são tão importantes para o bem estar econômico".

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