Havana, 28 (AE-AP) - O presidente cubano, Fidel Castro, destituiu hoje (28) Roberto Robaina da chefia do Ministério das Relações Exteriores. Em substituição a ele, que ocupava o cargo desde 1993, Fidel nomeou, hoje mesmo, seu secretário particular, Felipe Pérez Roque novo chanceler. Aos 34 anos, Pérez Roque torna-se o primeiro membro do gabinete de Fidel nascido depois do triunfo da Revolução Cubana, em 1959.
Robaina, chamado carinhosamente de Robertico por Fidel, era considerado "o rosto amável" do regime cubano. Aos 43 anos, despontava como um dos prováveis integrantes do círculo de poder que ascenderia ao controle do país após a morte de Fidel.
A demissão deixou atônitos os analistas políticos, tanto de governos estrangeiros como de grupos anticastristas radicados nos EUA. Ninguém se arriscava hoje a interpretar que sinais o regime cubano estava enviando ao mundo com a destituição de um de seus membros mais conhecidos.
"Não acreditamos que a demissão de Robaina e sua substituição pelo chefe do staff pessoal de Fidel, Pérez Roque, possa ter algum reflexo que justifique a mudança da política americana para Cuba", disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Rubin. "Isso parece ser apenas uma mudança normal de ministros."
"Parece claro que há algo de errado acontecendo no interior do regime, e essa mudança significa um endurecimento da política de Fidel", afirmou Ninoska Pérez, porta-voz da anticastrista Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA). "É triste que Robaina seja simplesmente apagado da história, como parece que será, sem nunca ter levantado a voz contra os crimes de Fidel."
Para alguns diplomatas, Robaina foi demitido por ter-se oposto a algumas medidas mais duras do regime - particularmente, ao julgamento e condenação à prisão de quatro dissidentes, no começo do ano. O chanceler teria sido ainda responsabilizado por Fidel pela votação da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas que, neste ano, condenou a situação das garantias individuais na ilha. Na visão de alguns colaboradores mais próximos de Fidel, Robaina falhou ao não agir eficientemente para reduzir o protesto internacional contra a repressão aos dissidentes.
Mas esses mesmos analistas não descartam a possibilidade de Robaina ter sido liberado da chancelaria para assumir um cargo ainda mais importante na hierarquia interna, como forma de consolidar o apoio da chamada "juventude comunista" ao governo. Apesar de ter deixado o ministério, Robaina mantém-se como membro das principais instâncias políticas de Cuba, como o bureau político do Partido Comunista.
O novo chanceler cubano, considerado o mais jovem representante da linha dura da ilha, assume a responsabilidade de organizar a 9ª Reunião de Cúpula Ibero-Americana, que se dará em Havana, de 13 a 16 de novembro.

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