RM no norte do PR é questionada
Folha - Londrina e Maringá criaram as suas regiões metropolitanas, fato que gerou discussão. Quando é hora de começar a trabalhar em conjunto?
Jorge Wilheim - Quando o governo federal instituiu as nove regiões metropolitanas, eu dizia quer era um absurdo, porque estas novas não são iguais. Em alguns casos havia região metropolitana, como Recife, São Paulo e Belo Horizonte. Mas não era o caso de Goiânia, Belém, nem de Curitiba. Não havia configuração, nem fronteiras de áreas metropolitanas. Mas a realidade se chocava com o interesse político. Era status ser metrópole, que era mais cidade. Tinha o governo federal que ia ajudar financeiramente. Com isso, ficou difícil desfazer este processo. No caso de Londrina, onde fiz um projeto da cidade industrial, tenho uma familiaridade para falar do caso. Na cidade existem duas situações de conurbação, que não precisa se chamar de metrópole, para que os prefeitos dessas regiões trabalhem associativamente.
Acredito que estas instituições não funcionam.
Folha - E a Comec - Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba?
Jorge Wilheim - Ela se instituiu e existe. Não sei como ela está hoje, mas sempre teve dificuldade com as assembléias, vereadores e prefeitos, que são contra. E não se percebe a vantagem de ser a favor. Isto acontece em todas as regiões metropolitanas instituídas. O nó delas é saber o que fazer com o poder. Nós temos três níveis de poder - federal, estadual e municipal. Caso se institua um poder maior na gerência de região metropolitana, em alguns casos extrapola o poder de outras entidades. Em São Paulo, a região metropolitana da capital representa a metade da população do Estado, que é um grande poder eleitoral. Por isso é muito difícil conceituar a função desses órgãos. Até o momento, o que elas têm feito foi se distrair com o problema desses locais. Fui diretor da Empresa de Planejamento da Grande São Paulo e a equipe local elaborou um plano para a região, que foi engavetado.
Folha - Mas qual seria a solução para trabalhar em áreas metropolitanas?
Jorge Wilheim - Em algumas cidades, os prefeitos estão criando consórcios, conseguindo através da discussão política a resolução de problemas técnicos. Por isso, a solução não é a declaração formal e a instituição de um poder. Tem que se encontrar outras formas de atuar nos problemas políticos e resolvê-los. Pode ser realizada por associações, consórcios e câmaras temáticas. São elas que fazem parte das coisas novas que surgem no mundo. No nosso mundo político, existem instituições importantes, como as agências regulamentadoras de privatização. E outro ponto importante é o conhecimento de que tudo é estatal é público, mas nem tudo que é público é estatal. Este conhecimento e a criação de organização sociais, que dentro do estado saem para defender o público, geram novas formas de atuação.
Folha - Então quais seriam as alternativas, que não a forma legal instituída nas regiões metropolitanas?
Jorge Wilheim - Não é a formulação antiga. Em São Paulo não se pensa mais nessa situação. Por isso, acredito muito na solução vinda de baixo para cima, no sentido de dar mais naturalidade às formas associativas. Mas é claro que não retira do Estado o dever de ter um planejamento nacional. Porque ele ajuda na orientação do processo. É importante que nesse novo processo não se cristalize o poder, mas apenas se associe, evitando que alguém apenas o detenha e não objetive soluções.

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