RJ ficou cinco horas sem energia
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo e Rodrigo Mattos, especial para a AE 
Rio, 12 (AE) - Pessoas presas em elevadores, assaltos, acidentes e incêndios. O Rio de Janeiro viveu cinco horas de insegurança durante o blecaute. O Estado ficou às escuras das 22h16 de quinta-feira até as 3 horas da sexta-feira. Às 23 horas a luz voltou, mas, 15 minutos depois, houve nova queda de energia.
As maiores críticas da população foram para o Corpo de Bombeiros, que, por falta de pessoal, teve que priorizar o atendimento. "Estamos prontos para atender, mas numa situação inusitada como um blecaute, é impossível socorrer a todos", disse o relações públicas da corporação, coronel Jorge Lopes. Segundo ele, os Bombeiros receberam cerca de 200 chamadas durante o blecaute, mas apenas 42 atendimentos foram feitos - entre os quais nove colisões, três atropelamentos, oito pequenos incêndios em imóveis e dois em carros. A maioria das chamadas era de pessoas presas em elevadores.No fim da tarde de hoje Lopes disse que o Corpo de Bombeiros pretende montar um plano especial para o caso de novos blecautes.
Acidentes - A falta de luz provocou acidentes de carros no Centro, Baixada Fluminense e zona oeste do Rio. O mais grave ocorreu na esquina das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, no Centro. Dois ônibus, das linhas 484 (Olaria-Copacabana) e 340 (Vila Kosmos-Praça XV), colidiram deixando 11 feridos. Os veículos que circulavam na Ponte Rio-Niterói se beneficiaram com o problema. Durante a queda de energia, ninguém pagou pedágio porque o equipamento de cobrança deixou de funcionar.
Os trens do Metrô pararam às 22h16. De acordo com a empresa que administra o serviço, a Opportrans, sete trens da Linha 2 (Zona Norte-Baixada) estavam parados nas plataformas, mas três das nove composições da Linha 1 (Zona Norte-Zona Sul) estavam entre estações. Seguranças da concessionária foram acionados e acompanharam os passageiros que estavam nos trens até a estação mais próxima. Apesar de não ter sido culpada pelo blecaute a Light recebeu hoje quase 8 mil telefonemas, 200 dos quais de consumidores pedindo orientação para ressarcimento de prejuízos com eletrodomésticos queimados.
água - Dos quatro grandes hospitais de emergência da capital, apenas o Souza Aguiar, que funcionou com geradores, teve problemas. Por causa da queda de energia, a unidade recebeu pacientes transferidos de outros hospitais estaduais. Às 3 horas o suprimento de água para o Souza Aguiar foi cortado e só foi normalizado no fim da tarde de hoje. "Nós tivemos que reduzir o número de cirurgias programadas para hoje por causa da falta de água", disse a diretora do hospital, Maria Emília do Amaral.
A Companhia Estadual de água e Esgoto (Cedae) informou que, por causa do blecaute, 430 elevatórias da empresa foram paralisadas. A estação de tratamento do Guandu, na Baixada Fluminense, que abastece toda a capital, parou por meia hora. Durante a falta de luz, deixaram de ser fornecidos 500 milhões de litros de água e o abastecimento de água no Estado só deverá estar normalizado no sábado.
Policiamento - Em toda a cidade o policiamento foi reforçado nas proximidades dos caixas eletrônicos e supermercados que funcionam 24 horas para impedir tentativas de saque e arrombamento. Apesar disso, quatro turistas austríacos foram assaltados em Copacabana, zona sul. Segundo o secretário estadual de Segurança, coronel José Siqueira Silva, esse foi o único caso de violência registrado no Rio. "O movimento foi normal em todos os municípios porque a Polícia Militar estava fazendo blitze rotineiras em todo o Estado na hora do blecaute"
afirmou. Foram montadas 112 barreiras, 44 só na capital, mobilizando 1.200 homens.


