RJ é líder em incidência de tuberculose
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Felipe Werneck 
Rio, 21 (AE) - O Rio de Janeiro é o Estado com a maior incidência de tuberculose do País, 97 casos notificados por 100 mil habitantes, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. Esse índice representa quase o dobro da média nacional, de 56 casos por 100 mil habitantes. No ano passado, foram registrados 17 mil casos da doença no Estado - 10 mil apenas na capital, onde a taxa chega a 120 por 100 mil habitantes.
O índice de abandono do tratamento é de 25% e o de cura, de 65%. "Nas favelas, a taxa de infecção é três vezes maior do que a média do País", diz o pneumologista Afrânio Lineu Kritski
coordenador do Programa de Tuberculose do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).Kritski é um dos dez integrantes do comitê nacional criado pelo Ministério da Saúde no ano passado para elaborar o manual de normas para o controle da tuberculose, que deverá ser lançado em abril pelo ministério.
Manual - "O manual é um grande avanço, porque reforça a questão do tratamento supervisionado", diz o médico. "Sem o acompanhamento sistemático do paciente e da sua família, e o isolamento imediato, o tratamento não funciona." Segundo ele, a taxa de abandono no HUCFF, que atende cerca de 300 tuberculosos por ano, é de 1% - no Estado, a média é de 25%. Kritski defende o sistema de distribuição de kits de diagnóstico como forma eficaz de identificação da doença.
"Será a primeira vez que o País terá um manual que leve em consideração as situações distintas encontradas em postos de saúde, hospitais pequenos e grandes." O médico diz que a tuberculose ainda não é considerada doença ocupacional, apesar de a taxa média de contaminação de enfermeiros e médicos ser de 12%. "Com a adoção de medidas de segurança, como a compra de filtros, conseguimos baixar para 4%."
Kritski coordena o I Curso Pan-Americano de Atualização em Tuberculose, que será feito hoje no auditório do HUCFF. Representantes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde e pesquisadores de universidades dos EUA, de Portugal e da Argentina participam do encontro.


