Jacarta, 28 (AE-AP) - Com menos de dois meses da realização de um referendo que decidirá o futuro de Timor Leste, as facções rivais desse território indonésio iniciaram hoje negociações para a elaboração de um plano que visa pôr fim à violência e a superação de décadas de ódio e conflitos.
Estão programados cinco dias de conversações, que terminarão na quarta-feira, com todas as partes representadas nas negociações, que foram batizadas de Desafio II.
"Conseguimos pouco progresso hoje", reconheceu o porta-voz oficial do encontro, padre Domingos Sequeira, acrescentando que os grupos pró e antiindependência ainda não resolveram ceder em nome da paz.
O líder rebelde independentista José Alexandre "Xanana" Gusmão disse mais cedo que as conversas frustraram as expectativas. O bispo católico Carlos Belo falou da necessidade de uma comissão comum continuar trabalhando depois do fim da reunião, que está sendo realizada em Jacarta.
Por sua parte, Francisco Lopes da Cruz, líder de uma milícia antiindependência, e o embaixador da Indonésia para Timor Leste, advertiram que qualquer acordo tem que ser realista em lugar de apenas "uma tentativa de se fazer muito".
Tem sido um problema tão longo que ninguém espera que uma solução seja fácil", concordou o embaixador australiano John McCarthy. "Eu não espero que todos os problemas sejam resolvidos nessa reunião", disse ele.
As grandes diferenças entre os dois lados refletem a polarização existente em Timor Leste, que deverá decidir em referendo, marcado para 8 de agosto, se se tornará independente ou ganhará autonomia dentro da Indonésia.
Nos últimos dois meses, desde que o referendo foi anunciado, foram assassinadas dezenas de pessoas na disputa. No mesmo período, milhares fugiram de suas casas temendo ataques rivais.
Um acordo de paz atingido em 18 de junho e assinado pelos líderes das principais facções, aponta para o fim da violência. Mas o pacto não definiu como os lados serão desarmados e as conversas de hoje tocam apenas no primeiro dos quatro artigos do programa de trabalho: reconciliação, o referendum, a situação política e a situação de segurança.

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