Ritmo do derretimento de geleiras cresce em todo o mundo8/Mar, 16:46 Por Liana John Campinas, SP, 08 (AE) - Um novo estudo divulgado pelo instituto independente Worldwatch, com sede nos Estados Unidos, aponta um crescimento sem precedentes no ritmo de degelo, tanto nos pólos, como nas geleiras permanentes das montanhas norte e sul asiáticas e americanas. Segundo o estudo, nunca, em toda a história do monitoramento de geleiras, o derretimento foi tão rápido e generalizado como na última década. O gelo ártico perde uma área equivalente à Holanda a cada ano, ou cerca de 34.300 quilômetros quadrados. Também fica menos espesso: de uma média de 3,1 metros registrados nos anos 70, a espessura do gelo ártico caiu para 1,8 metros, em meados dos anos 90. A Antártica, que concentra 91% do gelo do mundo, também perdeu grandes extensões de gelo, na forma de icebergs gigantescos, que se descolaram do continente na última década. A quantidade de gelo derretido no Continente Antártico como um todo são controversas, mas algumas estimativas apontam uma redução de 122 metros por ano, na região oeste (Western Antartic Ice Sheet). Na Groenlândia, segunda maior concentração de gelo depois da Antártica, com 8% do total mundial, a espessura do gelo diminui um metro por ano, desde 1993. E a previsão para os próximos 50 anos, é de que um quarto do gelo localizado fora dos pólos derreta, deixando algumas cadeias de montanhas sem geleiras, como as Montanhas Rochosas, dos Estados Unidos, que agora só tem 50 das 150 geleiras existentes há dois séculos. Como o gelo permanente funciona também como um espelho, refletindo o calor solar e mantendo a temperatura da Terra relativamente fria, teme-se que o atual derretimento multiplique os efeitos devastadores do aquecimento global da atmosfera. Antes da catástrofe, porém, o gelo derretido já vem causando problemas para cidades que dele dependem para seu suprimento de água potável. Lima, no Peru, é um exemplo dramático. Seus 10 milhões de habitantes hoje dispõem de apenas 3 metros cúbicos da água proveniente da geleira de Quelccaya, quando há 10 anos dali tiravam 30 metros cúbicos.