São Paulo, 27 (AE) - As projeções mais otimistas que estão sendo feitas para a economia brasileira não indicam que o País está caminhando para um "boom econômico". O segundo semestre de 1999 deve crescer entre 1% e 2%, apenas, sobre o primeiro semestre, considerando dados dessazonalizados. O comportamento fraco da atividade neste ano abre espaço para que o Brasil volte a crescer no ano 2000. Por enquanto, as projeções apontam para um crescimento entre 3% e 4% no próximo ano.
"O fundo do poço ocorreu antes do que se imaginava e podemos esperar um segundo semestre com a economia crescendo 2% em relação ao primeiro semestre", diz o economista-chefe da MCM Consultores, Newton Rosa. O crescimento não será mais acelerado, observa, porque o setor público é contracionista (está cortando despesas), o desemprego elevado e a massa salarial em queda limitam o consumo familiar e a queda das taxas de juros ainda não está provocando uma recuperação do crédito, necessário para aumentar vendas de bens duráveis, como eletrodomésticos e automóveis. Para o ano 2000, a MCM projeta evolução de 3,5% do PIB.
Marcelo Allain, diretor de Análise Econômica do BMC, diz que ao longo do segundo semestre (e também no próximo ano) pode ocorrer um movimento de recomposição de margem na indústria e no varejo. Esse movimento, explica, pode pressionar a inflação. "A absorção de margens neste começo de ano foi muito grande e a recessão agiu para evitar que o empresário conseguisse repassar aumento de custo para os preços", pondera. A volta da atividade (ainda que moderada) no segundo semestre pode abrir espaço para um movimento contrário, mas não deve ocorrer nenhuma explosão de preços. Allain projeta inflação de 6% este ano e 5% no próximo. Para o PIB, o ano de 1999 deve encerrar com uma recessão próxima a 1,1%.
"Como a inflação está sendo muito inferior ao esperado, a corrosão dos salários será menor e, por consequência, isso provoca uma queda menor do consumo e do PIB", analisa Robério Costa, economista-sênior do Citibank. Em fevereiro, a instituição projetou 6% de queda no PIB e inflação de 35%. Fazia parte desse cenário ruim uma grande dificuldade de controle das contas públicas.
José Roberto Mendonça de Barros acredita que o País possa crescer 4% no ano que vem, mas lembra que um ritmo sustentado de crescimento depende do ajuste fiscal. "Sem isso, o País voltará a bater no limite."

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