Ritmo cardíaco alterado deve ser investigado
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domingo, 07 de junho de 2009
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Quem já não sentiu o coração saindo pela boca? Ou já não ouviu os próprios batimentos cardíacos? Foi o que aconteceu com Karina de Fátima Boranga, aos 13 anos, durante uma aula de educação física. Hoje, aos 25 anos, ela já passou por vários tratamentos para arritmia cardíaca (veja texto nesta página). Assim como a jovem, é preciso ficar atento, pois o que a princípio pode ser apenas uma reação ao esforço físico ou resultado de uma situação de medo também pode representar um alerta da arritmia cardíaca. E o problema é mais comum do que se imagina. Todos os anos morrem cerca de 40 mil pessoas no Brasil vítimas de morte súbita, mal diretamente ligado à arritmia, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.
A arritmia, explica o cardiologista Antonio Nechar Júnior, do Hospital do Coração de Londrina, é um mau funcionamento elétrico do coração, que bate de forma irregular, tanto para mais quanto para menos. A doença pode ocorrer em corações normais e doentes. O diagnóstico precoce, ressalta o médico, é a arma mais eficaz contra a doença. ''Qualquer palpitação não relacionada ao esforço físico deve ser investigada.''
Estão mais sujeitos a desenvolver arritmia as pessoas que já apresentam algum tipo de problema de coração (hipertensão, por exemplo), diabéticos, quem utiliza medicamentos anorexígenos e usuários de drogas ilícitas (principalmente cocaína e crack). Entre os sinais de alerta estão tonturas com escurecimento da visão e desmaios. ''Quem apresentou esses sintomas deve procurar ajuda'', ressalta.
Engana-se quem pensa que a arritmia cardíaca acomete apenas as pessoas mais velhas. Segundo Nechar Junior, as pessoas com mais de 40 anos devem fazer check-up todos os anos. Mas pacientes com histórico de morte súbita na família precisam ficar ainda mais atentos, fazendo exames precocemente.
O cardiologista explica que o tratamento da arritmia vai desde a orientação e mudança de hábitos até a implantação de marcapasso. Um dos tratamentos mais modernos hoje é a Ablação por Radiofrequência - método por meio do qual os focos das arritmias são cauterizados, após estudo eletrofisiológico. O procedimento é realizado com cateteres especiais, que aplicam uma energia semelhante a de um bisturi elétrico.
A grande vantagem neste tipo de tratamento é o fato dele ser curativo. ''A utilização de medicamentos atenua a arritmia, mas com a ablação o indivíduo nunca mais vai ter o problema. Além disso, o tempo de internamento é de um dia''.
Outra possibilidade de controle é com um aparelho chamado Looper, do tamanho de um celular, que pode salvar a vida de uma pessoa.
O equipamento portátil grava o ritmo cardíaco e envia o eletrocardiograma do usuário diretamente para o médico, por meio da internet. O monitoramento é feito por um período que vai de cinco dias a um mês. Toda vez que o paciente sente o coração disparar, ele aperta o botão no Looper, que vai gravar o funcionamento cardíaco um minuto antes e um minuto depois do evento.
Segundo Nechar Júnior, esse tipo de exame é importante porque pode dar ''uma visão mais confiável, rápida e precisa'' do problema enfrentado.


