Riscos da automedicação
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terça-feira, 24 de janeiro de 2006
Juliana Coissi<br>Folhapress 
Ribeirão Preto- Para dor de estômago, um antiácido. Um laxante para curar o efeito da prisão de ventre. A calma do tranquilizante regada a doses de álcool. Pesquisadores alertam que a combinação de medicamentos por conta própria ou a adição da bebida a psicotrópicos pode levar à tolerância e dependência do medicamento.
Por trás do alívio do comprimidinho, esconde-se o risco do falso placebo (medicamento sem efeito, ministrado apenas para buscar algum efeito psicológico). Para curar o problema, vale a receita: evitar a automedicação e buscar a qualidade de vida.
Os efeitos nocivos da combinação de medicamentos esteve entre os temas da 1 Semana Farmacêutica, promovida na semana passada pela Divisão da Assistência Farmacêutica de Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto.
Algumas interações de remédios são benéficas, mas resultam em exceções, garante o farmacêutico bioquímico da USP Lucélio Bernardes Couto. ''Quanto maior o número de medicamentos, maior o risco dessas interações no organismo'', diz.
As mais graves combinações ocorrem com anticoagulantes, por exemplo, com pacientes que já sofreram um derrame e passaram a utilizar um segundo remédio. ''Se combinado com antiinflamatórios, pode potencializar o efeito do anticoagulante e aumentar o risco de ter uma hemorragia, que pode levar rapidamente à morte'', explica Couto.
Na população, o efeito nocivo mais comum é dos que usam psicotrópicos -calmantes, anoxerígenos, antidepressivos-, substâncias que deprimem o organismo. Ocorre que muitos os aliam a doses de álcool, que também é depressor. ''É difícil, apesar das orientações médicas, o paciente não beber por seis meses, por exemplo, que é o tempo médio de um psicotrópico. Então faz essas interações.'' A longo prazo, o paciente pode sofrer tolerância ao remédio, precisando aumentar as doses ou ter dependência do uso.
O uso psicológico de coquetéis de remédios resultam em uma espécie de falso placebo, alerta a farmacêutica clínica Solange Brícola, do HC da USP de São Paulo. ''Você está lidando com algo concreto, que tem princípio ativo, não é uma ação placebo'', diz.
Para ela, a medicina deveria ser pautada não pelo tratamento, mas pela prevenção e promoção de saúde. ''O problema é que temos um país doente, e a indústria farmacêutica cada vez desenvolve mais medicamentos que trazem a pílula da felicidade, a resolução dos problemas.''


