Risco maior nos primeiros anos da vida sexual
São Paulo - O Brasil já dispõe uma vacina contra esses quatro subtipos de HPV. Como a maioria das contaminações ocorre nos primeiros anos da vida sexual, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, preconiza a vacinação de meninas de 9 a 14 anos. "Se conseguirmos atingir a meta de cobertura de 80%, daqui a dez anos teremos uma geração livre do HPV", diz a epidemiologista Carla Domingues, coordenadora do PNI.
A vacinação contra o vírus está disponível no Sistema Único de Saúde desde 2014. Até agora 48% do público-alvo está imunizado contra o HPV - pouco menos da metade das garotas brasileiras de 9 a 14 receberam as duas doses da vacina. Todos os anos, 530 mil mulheres recebem o diagnóstico da doença e 265 mil morrem em decorrência dela no mundo.
A prevenção à doença, no entanto, não se faz apenas com a imunização contra o HPV. O uso do preservativo pode ajudar, mas o papanicolau é imprescindível, alerta o ginecologista Sergio Podgaec, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Baseado na coleta e análise das células do colo de útero, esse exame é a principal arma na detecção precoce de lesões precursoras de câncer, como as causadas pelos HPV-16 e HPV-18.
As diretrizes de ginecologia indicam o exame para mulheres de 25 a 64 anos, no seguinte esquema: uma análise por ano, durante dois anos. Se ambas derem negativo para câncer cervical, a periodicidade passa a ser a cada três anos. Entre todas as neoplasias, os tumores malignos de colo de útero estão entre as mais lentas. Levam em torno de 15 anos para chegar ao estágio avançado. Portanto, fazendo o papanicolau de três em três anos, a paciente tem cinco chances, no mínimo, para flagrar a doença. O câncer de colo de útero é raro até os 30 anos: o pico de incidência se dá entre 45 e 50 anos.
SEXO ORAL
No Brasil, as diferenças entre regiões em relação à prevenção da doença são gritantes. O Nordeste, por exemplo, registra pouco mais do dobro de casos da doença que o Sudeste. Isso decorre da desigualdade na realização do exame preventivo. Há quem faça demais e quem faça de menos. Nos rincões do País, há localidades em que as mulheres nunca se submeteram a um papanicolau. Em outras, elas fazem os exames todos os anos, antes dos 25 anos. Isso sem contar as falhas na coleta e na análise do material encaminhado para avaliação.(K.P.)





