Risco do bug deixa Itaipu em alerta; férias de final de ano foram suspensas
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sexta-feira, 02 de julho de 1999
Por Patrícia Iunovich, especial para a Agência Estado 
Foz do Iguaçu, 3 (AE) - A Itaipu Binacional suspendeu as férias de analistas e gestores da área de informática entre dezembro e fevereiro do ano que vem para evitar possíveis danos à geração de energia elétrica em decorrência do bug do milênio. O fenômeno tecnológico deve afetar computadores do mundo inteiro cujos programas não tenham sido preparados a tempo para fazer a leitura do ano 2000.
Usando mão-de-obra própria, a Itaipu modificou todos os seus 42 mil programas de microcomputadores e converteu cerca de 7 milhões de linhas de código. Se o serviço fosse terceirizado, a empresa teria de gastar cerca de R$ 20 milhões. A adequação de cada linha de código, por exemplo, custa o equivalente a US$ l 60.
O bug do milênio é a incapacidade dos sistemas de informática lerem os quatro dígitos do 2000. Com o advento da informática neste século, a industria mundial vinha produzindo sistemas para leituras dos anos subsequentes aos dois primeiros dígitos de 1900. Com isso, programas produzidos até o início desta década, quando o problema foi detectado, não foram preparados para ler os dígitos da virada do ano.
O gerente do Departamento de Planejamento de Sistemas e Administração de Dados da Itaipu Binacional, Sérgio Cwikla, garante que a empresa está preparada para enfrentar o bug do milênio, sem maiores prejuízos. A empresa tem 1.500 microcomputadores, metade deles está ligado em sistema de rede e a outra opera manualmente. Desde 1997, a entidade mantém planos de prevenção e correção para resolver possíveis problemas que a virada do ano poderá causar nos computadores da usina. Esse trabalho consiste em detectar supostas falhas na área de informática e corrigi-las a tempo para evitar transtornos com a perda de referência cronológica.
O projeto da Itaipu Binacional para diminuir os efeitos do bug do milênio está estruturado em várias etapas. O diagnóstico e inventário é a primeira fase. O trabalho consiste no reconhecimento dos equipamentos de informática que poderiam ser afetados com o bug do milênio.
A segunda etapa prevê a divulgação interna e externa de todo o trabalho que vem sendo desenvolvido nessa área. Essas informações são repassadas para usuários internos e empresas do setor elétrico do Brasil e Paraguai. Uma terceira fase consiste na conversão dos sistemas e uma quarta na adequação de softwares e hardwares da empresa. Os analistas também estão realizando testes periódicos com datas fictícias e certificação para avaliar os impactos do bug do milênio.
Os funcionários fazem simulações nos computadores como se estivessem no ano 2000. Os dados são processados no sistema para análise dos resultados. Numa penúltima etapa é feita a avaliação de risco da empresa, ou seja, como se comporta a usina numa situação de perigo em decorrência do fenômeno tecnológico. A última fase já está sendo colocada em prática. O chamado Plano de Contingência trabalha na prevenção de possíveis falhas provocadas pela virada do ano no sistema de informática da hidrelétrica.


