Risco de saque mobiliza PM na Paraíba
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sexta-feira, 01 de maio de 1998
Das agências 
Ed Ferreira/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Campo secoGarotos jogam bola na região do Cariri, em Campina Grande (PB), atingida há oito meses pela seca. PM põe dois mil homens de prontidão para evitar saques em todo o EstadoOs dois batalhões da Polícia Militar paraibana responsáveis pela região do sertão entraram em alerta devido à onda de saques no interior por conta da seca. Os batalhões estão sediados nas cidades de Patos e Cajazeiras e vão tentar evitar saques a supermercados e estabelecimentos comerciais. Cada um deles tem um efetivo de cerca de mil homens.
O comandante do 3º Batalhão da PM, sediado em Patos, major José Alves de Morais, disse anteontem que diariamente recebe informações de tentativas de saque por trabalhadores rurais famintos a depósitos de merenda escolar e ao comércio das pequenas cidades.
Morais disse que, em casos de saque, os policiais são orientados a agir com calma e paciência. Ele afirmou que não cabe à PM resolver o problema da fome dos trabalhadores rurais que saqueiam depósitos de merenda escolar nos municípios mais atingidos pela seca.
Nós tentamos apaziguar a situação enquanto esperamos aparecer uma autoridade competente, geralmente os prefeitos, para resolver o problema, disse o comandante da PM.
Ainda de acordo com Morais, ontem, por ser dia de feira livre em várias cidades, o alerta nas companhias foi máximo. Tenho sob minha jurisdição 61 uma cidades. Sete das 14 cidades onde ocorreram manifestações de trabalhadores famintos estão na área do 3º Batalhão da PM.
O comandante do 6º Batalhão, capitão José de Almeida, disse que também colocou sua tropa em alerta máximo. Temos informações de que há ameaças de saques em várias cidades do interior. O povo está com fome. Almeida e seus soldados conseguiram evitar anteontem que cerca de 300 pessoas famintas saqueassem o comércio do centro da cidade de Santa Luzia. No entanto, a PM não evitou o saque a um depósito de merenda escolar na mesma cidade de Santa Luzia no mesmo dia. Cerca de 1.500 quilos de comida foram levados por uma multidão de cem pessoas, a maioria moradores da periferia da cidade.
A cidade brasileira considerada pelas estatísticas oficiais a mais pobre do Nordeste é também uma das únicas no sertão da Paraíba que sobrevive sem o estado de tensão causado pela ameaça de saques por flagelados da seca. Mesmo desempregada, a maioria dos 373 habitantes de Salgadinho, localizada a 249 quilômetros de João Pessoa, acredita que os flagelados à procura de alimentos buscarão outros municípios mais desenvolvidos. A calma é tanta que um dos dois policiais deixa o plantão para trabalhar como barbeiro.
Salgadinho, que hoje tem 90 casas, parece uma cidade esquecida. Localizada entre serras, não tem rádio, televisão, agência bancária ou fórum, apesar de ter 35 anos.


