Londrina – O risco de aparecimento de novos casos de dengue é motivo de preocupação para as autoridades do setor da saúde em Londrina. O Levantamento do Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) será divulgado amanhã pela Secretaria Municipal de Saúde. E o resultado, de acordo com Elson Belisário, coordenador de Endemias, pode ser "um dos maiores da história".
"O momento é crítico, de alerta total, mas não penso em epidemia. As medidas que estamos tomando são para evitar uma situação dessas. Nossa estrutura de saúde é boa e temos gente com capacidade na secretaria. Nossos agentes estão na rua combatendo os focos e orientando as pessoas", destacou. A última epidemia de dengue Londrina foi em 2011, com mais de 7 mil casos confirmados.
O maior índice de infestação já registrado em Londrina, segundo o setor de Endemias, foi de 19, registrado em janeiro de 2000. A cada 100 imóveis vistoriados, 19 apresentavam focos. O índice máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 1%. O último LIRAa, de outubro de 2012, já apontava esse índice.
De 7 a 12 de janeiro, agentes de endemias percorreram imóveis de todas as regiões da cidade. Foram localizados 1.182 focos de mosquitos transmissores de doenças - 901 (o equivalente a 76%) do Aedes aegypti . A grande maioria em quintais e terrenos baldios, por causa do acúmulo de lixo. "Chegamos a encontrar larvas em água com temperatura de 35 graus, quando o normal é até 28. As larvas sofrem mutações, criam resistência e estão tomando conta das áreas urbanas", relatou Belisário.
Nos 15 primeiros dias de janeiro, a Secretaria de Saúde recebeu 87 notificações da doença. Neste mesmo período do ano passado, foram 230 notificações e dois casos confirmados. Em 2012, Londrina registrou, no total, 98 casos de dengue e 2.972 notificações. "O número ainda é baixo, mas precisamos ficar atentos porque o período é crítico", alertou Belisário.
Na tarde de ontem, a Secretaria de Saúde reuniu profissionais das 53 unidades básicas de saúde e dos prontos atendimentos Adulto (PAM) e Infantil (PAI) para reforçar as orientações sobre o combate à doença, principalmente no que se refere à parte assistencial e à coleta de sangue para o exame sorológico.
A preocupação aumentou ainda mais depois da confirmação de dois casos do tipo 4 no Paraná. Por isso, a orientação é dar uma atenção especial a pessoas que estavam em viagem e voltam para a cidade com sintomas da doença. "Não há dúvidas que esta nova tipagem vai chegar a Londrina. E todos somos suscetíveis, já que nunca tivemos contato com o tipo 4. Em Londrina, só tivemos dengue dos tipos 1,2 e 3. Por isso, esse novo tipo pode atingir as pessoas que já tiveram dengue e isso pode agravar a saúde delas", salientou Leia Pereira, gerente de vigilância epidemiológica.

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