Apucarana - Um acordo entre os delegados-chefes da 17 Subdivisão Policial, Valdir Abrahão da Silva, e da 10 SDP, Márcio Amaro, acertou ontem a transferência de dois carcereiros de Londrina para Apucarana (Centro-Norte).
Os dois carcereiros devem começar a trabalhar hoje no minipresídio, onde há oito dias um investigador foi ferido e tomado como refém durante uma rebelião. Eles farão o trabalho em Apucarana durante pelo menos um mês.
A medida deve acalmar os ânimos dos detentos, que ameaçam um novo motim por causa da superlotação. Em um espaço para abrigar 112 homens, estão vivendo 284. Com a chegada dos carcereiros, os banhos de sol serão retomados de segunda a sexta-feira, de acordo com Abrahão. ''Porém, trata-se uma solução provisória. Ainda precisamos recompor o quadro de carcereiros'', disse o delegado.
Conforme informações dos próprios policiais (eles não quiseram se identificar), a unidade estaria na iminência de um novo motim pela presença dos investigadores nas galerias, o que desagradaria os presos.
Os policiais estão fazendo a lida com os presos por causa da falta de carcereiros. Não há nenhum agente na ativa desde que o único servidor que exercia esta função pediu licença médica. ''As outras vagas não são preenchidas por causa dos baixos salários. Nem mesmo a tentativa de se colocar carcereiros temporários foi bem-sucedida. Eles ficam dois ou três dias e preferem não trabalhar mais'', contou o delegado.
De acordo com apuração da FOLHA, os seis investigadores praticamente não estão fazendo mais diligências. Há uma grande insatisfação entre os policiais porque eles têm que se desdobrar para atender os presos e as demandas administrativas. As investigações ficaram em último plano, reclamam. O delegado Valdir Abrahão não negou a situação e disse que os dois homens que começam a trabalhar hoje devem aliviar a sobrecarga dos policiais.
Para evitar um novo motim, Abrahão também conseguiu autorização judicial para transferir ainda está semana 31 presos condenados, grupo que abrigaria o núcleo da primeira rebelião. Vinte deles, que terão de cumprir pena por regime fechado, serão transferidos para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e outros 11 para a Colônia Penal Industrial de Maringá (CPIM), unidade do regime semiaberto.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região, Admilson Batista, disse que o problema da falta de carcereiro se repete em muitos municípios do Estado. ''É uma situação muito difícil. Já temos um efetivo insuficiente e ainda há um caso sistemático de desvio de função'', afirmou.
O sindicato está cobrando do governo estadual a remoção mais rápida dos presos provisórios para casas de custódia e, no caso dos condenados, para as penitenciárias. ''Policial tem que estar na rua e para isso é preciso desafogar os distritos. Isso está acontecendo de forma muito lenta. Se isso prosseguir por muito tempo, vamos protestar em frente ao Palácio Iguaçu'', prometeu.

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