Risco de epidemia leva secretaria a iniciar campanha
As chances de um município apresentar uma epidemia de dengue são grandes quando de cada cem casas examinadas, uma tem a larva do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. A situação acontece em pelo menos metade dos cerca de 260 municípios que estão infestados com focos do mosquito. Para tentar reverter a situação, a Secretaria Estadual de Saúde lançou ontem uma campanha de prevenção à dengue. A campanha começa a ser veiculada amanhã em jornais e emissoras de rádio e tevê de todo o Paraná.
Além das peças publicitárias, serão distribuídos folders explicativos para toda a população, com ênfase para as regiões Norte, Noroeste e Oeste do Estado. Segundo a secretaria, essas regiões são as que representam maior perigo, por terem condições ambientais favoráveis à proliferação do mosquito. A região de Maringá é a que mais preocupa, revelou o secretário de Saúde, Armando Raggio. Dos 140 casos da dengue registrados desde o começo do ano, 67 foram detectados em Santa Fé, a 47 quilômetros ao Norte de Maringá.
Raggio contesta a informação anteriormente repassada pela própria secretaria, de que 260 municípios do Estado apresentariam focos do mosquito. Existem focos do Aedes em 184, dos 399 municípios paranaeses, retifica. No entanto, em 65% das cidades paranaenses (260) já foram detectados casos da doenças ou larvas do mosquito transmissor. A explicação é do diretor de Vigilância e Pesquisa da secretaria, Nereu Henrique Mansano. Esse número representa o histórico de infestação do mosquito, justifica.
Em 1999 foram detectados 305 casos da dengue. No ano passado esse número subiu para 1.825. Um aumento de quase 500% justamente no primeiro ano em que o Ministério da Saúde deu autonomia para que os estados e municípios regulamentassem as ações contras doenças endêmicas, no qual a dengue se enquadra. Essa autonomia acontece através do repasse mensal do teto financeiro do Fundo Estadual de Epidemiologia e Controle de Doenças. No ano passado, o governo federal repassou R$ 21 milhões para o Estado e municípios credenciados. Este ano, o montante é de R$ 21,6 milhões.
A secretaria esclarece que a verba foi aplicada de acordo com a orientação do ministério e justifica ainda que o aumento de casos da dengue no Estado no ano passado aconteceu pela epidemia que teve no Paraguai, o que resultou em casos da doenças nos municípios que fazem fronteira com aquele país.
Este ano, a secretaria pretende reduzir o número das doenças registradas no Paraná orientando a população. Foram investidos R$ 495 mil em publicidade, recursos do Fundo Estadual de Epidemiologia e Controle das Doenças. A época da divulgação foi escolhida estrategicamente, porque a secretaria entende que o outono apresenta condições ideais para o controle do mosquito. Segundo a secretaria, erradicar o Aedes aegypti, que além da dengue transmite a febre amarela, é impossível, por isso é preciso investir em campanhas educativas para tentar evitar a proliferação dele.(Katia Michelle)





