Londrina - A população londrinense está sob risco de uma epidemia de dengue. A declaração é do coordenador de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Elson Belisário, depois da constatação de que o índice de infestação predial (IIP), medido pelo Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) em janeiro, atingiu 8% em Londrina. O levantamento anterior, de outubro, indicou 1% de infestação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o nível aceitável deve ser inferior a 1%. Entre 1% e 3,9% a população deve ficar em alerta. Acima de 4% há risco de epidemia.
O bairro onde há o maior número de focos do mosquito da dengue é a Vila Ricardo (zona leste). Basta passar na Rua Coronel Luiz Gastão Richeter, ao longo da linha ferroviária, para constatar um volume grande de lixo no local, com centenas de recipientes que acumulam água.
A dona de casa Lucy de Jesus, de 64 anos, credita o problema à falta de coleta de lixo reciclável na região. A apreensão dela é ainda maior porque o filho dela, Jorge Aparecido de Jesus, de 46, teve dengue no ano passado.
O problema maior, no entanto, se esconde nos quintais. Na Vila Ricardo, o IIP é de 15,38% - a cada 100 casas, 15 têm focos do mosquito. A reportagem foi ao bairro conversar com os moradores. Todos os entrevistados garantiram que tomam os cuidados necessários para evitar a proliferação da doença. São pessoas como a dona de casa Marlene Machado, que afirma que sempre toma precauções contra os focos do mosquito. "A água do cachorro eu troco todos os dias, os vasos e pratos são todos furados para não acumular água e sempre inspeciono os vasos que não estou usando após cada chuva", garantiu.
A cozinheira Nair de Souza Santos, de 47 anos, é ex-agente de endemias e moradora do bairro. Ela relata que a maior parte dos vizinhos não cuida adequadamente de suas casas, principalmente após dias de chuva. "Eu fiquei surpresa com esse índice elevado. Muitos relaxam e acabam não fiscalizando suas casas adequadamente, mas não é só aqui não. Até no centro, onde tradicionalmente não há um índice tão elevado, está muito alto", avaliou.

Imagem ilustrativa da imagem Risco de epidemia atinge todas as regiões de Londrina



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