‘‘A manipulação de sangue de cordão é muito mais rígida que a de embriões e esperma’’, garante a farmacêutica Silvia Azevedo, da Cryopraxis, empresa do Rio de Janeiro que mantém uma colaboração em pesquisa e desenvolvimento com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, para a qual é repassada parte do lucro. Sílvia explica que no caso dos cordões o cuidado com uma eventual contaminação do material deve ser redobrado porque, afinal, quem vai precisar dele geralmente é pessoa doente, imunossuprimida por causa de uma quimioterapia.
A Cryopraxis cobra uma taxa de R$ 1.850 para coleta do sangue de cordão e mais R$ 240 por ano para armazená-lo. Sílvia acredita que as aplicações do sangue de cordão vão aumentar e demanda também, tanto que já tem planos de instalar sua empresa em São Paulo. ‘‘Esse tipo de iniciativa ainda enfrenta o problema dos altos custos, porque todo o equipamento é importado e exige mão-de-obra especializada’’, diz.
Segundo Bouzas, a grande preocupação com a qualidade se justifica. ‘‘Tem gente congelando medula óssea no consultório’’, diz. O risco é pagar por um serviço e, no futuro, quando se precisar realmente dele, descobrir que as células não são viáveis para transplante, que a amostra foi contaminada por bactérias ou não foi devidamente testada ou que a preservação não foi boa o bastante para garantir a qualidade do material. ‘‘Não há como impedir que muita gente ganhe dinheiro com isso, mas é preciso que a população saiba, por exemplo, que a armazenagem de sangue de cordão exige bolsas especiais e tanques enormes’’, explica. E ele avisa que as exigências que as autoridades brasileiras vão fazer para quem estiver disposto a trabalhar com bancos de cordões não vão ser simples nem baratas.

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