Risco de Aids em homossexuais é 11 vezes maior, mostra pesquisa
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quinta-feira, 28 de junho de 2001
Lucia Martins Agência Estado Do Rio 
O risco de homossexuais e bissexuais brasileiros se infectarem com o HIV, o vírus que causa a Aids, é 11 vezes maior do que o dos homens heterossexuais, mostra estudo realizado pela Coordenação Nacional de Aids do Ministério da Saúde. Essa é a primeira vez que uma análise oficial confirma o fato detectado desde o início da epidemia, no final dos anos 80. Mas, em números absolutos, ainda são os homens heterossexuais que lideram em casos de pessoas contaminadas pela doença: 162.543 contra 111.331.
A pesquisa foi feita em um momento em que o ministério está muito preocupado com o crescimento da epidemia em homossexuais. Segundo dados dos boletins epidemiológicos, o vírus está se espalhando com mais velocidade em gays jovens -podendo repetir o que já ocorreu nos Estados Unidos e na Europa, onde houve um relaxamento na prevenção da doença e crescimento dos casos em homossexuais com menos de 25 anos. Por causa desses indicadores, o ministério quer aumentar o número de programas de luta contra a Aids e já prepara para agosto uma campanha nacional, especialmente destinada aos homossexuais.
Confirmamos algo que já imaginávamos. Foi bom porque agora temos certeza que temos uma população que precisa de uma política específica de combate à doença, explica o coordenador-adjunto da Coordenação Nacional de Aids, Alexandre Grangeiro.
O estudo de risco foi feito com base em dados dos boletins oficiais que contam o número de homens que já manifestaram a doença e outros estudos que estimam quantos brasileiros já estão infectados com o HIV.
O risco é deduzido estatisticamente pela comparação da prevalência (percentual de pessoas infectadas no grupo analisado) do vírus em homens heterossexuais com homossexuais. Para fazer esse estudo, primeiro os técnicos tiveram de calcular o porcentual da população masculina brasileira que é gay e concluíram que é de 5,9%. Essa é a primeira estimativa desse tipo feita no Brasil , afirma Aristides Barbosa Júnior, que coordenou o estudo do ministério.
A maior preocupação do ministério e dos ativistas é que a confirmação do maior risco de contaminação ajude a aumentar o preconceito da população contra o grupo. O ministério divulgou a pesquisa para tentar informar a população e antecipar a campanha nacional nos meios de comunicação, que vai pregar o uso do perservativo e o não-preconceito.
Temos medo de que esse tipo de informação seja usada por quem tem preconceito para marcar os homens que fazem sexo com homens, como ocorreu no início da epidemia, afirma o coordenador-adjunto da Coordenação Nacional de Aids, Alexandre Grangeiro.
A prevalência maior nesse grupo já era conhecida. É uma questão comportamental e cultural. O que temos que enfatizar é que, com camisinha, a chance de contaminação é a mesma nos dois grupos, nula, afirma o médico infectologista e coordenador do Centro de Referência e Tratamento de Aids do Estado de São Paulo, Artur Kalichman.


