Risco antecipa implosão de prédio
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Fim do riscoA antecipação do horário e a diminuição da carga de explosivos foi causada pelas más condições do prédio, que foi implodido em três segundosO edifício Palace II, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, que desabou parcialmente três vezes desde domingo, foi implodido, ontem, às 10h30, uma hora e meia antes do horário previsto, e com a metade da dinamite que havia sido planejada para demolir o prédio. A antecipação do horário e a diminuição da carga de explosivos foi causada pelas más condições de segurança do prédio, que ameaçava desabar.
A implosão durou três segundos. Assim que o prédio caiu, curiosos e vizinhos aplaudiram o sucesso da operação, enquanto os moradores do edifício destruído começaram a chorar e a se abraçar, lamentando suas perdas. Uma das moradoras do Palace II, Fátima Coelho, abraçou a irmã Marister Pires Coelho, moradora do Royal, prédio vizinho, e lamentou o soterramento de oito pessoas do prédio. Eu conhecia todos eles, disse. Vocês podem ter certeza que esse vai ser o primeiro caso, no Brasil, em que não haverá impunidade, afirmou Marister.
A antecipação da implosão fez com que, desde às 7h30, cerca de 80 homens da Defesa Civil começassem a esvaziar os apartamentos vizinhos à área interditada, com o apoio da Polícia Militar, que enviou 550 homens para a segurança da operação. Foram 18 prédios interditados, desalojando um total de 14 mil moradores. Uma hora depois da implosão, estava previsto o início do trabalho de busca dos bombeiros entre os destroços, do primeiro desabamento, dos corpos das sete vítimas que ainda não tinham sido resgatadas. O único corpo resgatado após o desabamento de domingo foi o do defensor público Gil Augusto Maneschy.
Depois da implosão, moradores dos prédios vizinhos ao Palace II, improvisaram uma manifestação no início da rua Henrique Cordeiro contra o deputado Sérgio Naya, proprietário da construtora do prédio. Cadeia para o assassino, gritavam os moradores.
O vereador Eduardo Paes (PFL-Rio) conversou por telefone, ontem pela manhã, com o presidente do Senado Federal, Antonio Carlos Magalhães, e marcou uma audiência com ele e um grupo de moradores do Palace II, para segunda-feira, em Brasília. Todos irão ao Congresso pressionar os parlamentares pela cassação do mandato do deputado Sérgio Naya para que, com isso, ele perca sua imunidade e possa ser processado criminalmente. Outra possibilidade é a apresentada pelo delegado titular da 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca) Carlos Alberto Nunes Pinto: os três sócios de Sérgio Naya na construtora Sersan responderiam criminalmente pelo desabamento do prédio.


