No Dia Nacional do Rio, comemorado hoje, diversas atividades estão programadas para destacar a importância da preservação dos mananciais. Os repórteres da Folha mostram a preocupação de entidades e das comunidades de várias regiões do Estado que se mobilizam para impedir a morte dos rios, e o descaso de empresas que teimam em destruir um bem natural que pertence à humanidade.
Em Londrina, a falta de consciência resulta em uma série de crimes ambientais. Um dia após a descoberta de lançamento de cloro no Córrego Guarujá, era possível perceber ontem o lançamento clandestino do produto próximo à nascente, na Vila Brasil, evidenciando crime ecológico. Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) estiveram ontem no local e constataram que o problema persistia.
Para o chefe regional do IAP, Andrew Pinheiro Neto, o registro de ontem afasta de vez a possibilidade de um simples acidente. ‘‘O responsável continua lançando o cloro e vai responder por crime ambiental’’, afirmou. Análises realizadas pelo IAP apontavam um nível de cloro 300% maior que o aceitável nas águas do Córrego Guarujá, que deságua no Córrego das Pombas, afluente do Ribeirão Cambezinho.
Ontem pela manhã, a mortandade de peixes tinha aumentado na represa do Parque Arthur Thomas, formada pelos afluentes do Cambezinho. De acordo com o técnico do IAP, Nelson Santos Pereira, os peixes morreram devido a alta concentração de cloro, que tira o oxigênio da água. No momento em que foram recolhidos pelos funcionários da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), os peixes estavam com a boca aberta, indicando morte por asfixia.
Durante todo o dia, funcionários da AMA investigaram empresas das redondezas do córrego procurando o responsável pelo crime. Até o final da tarde, ainda não haviam identificado o causador dos danos. A técnica utilizada para descobrir o foco de poluição é a adição de permanganato de potássio no efluente da empresa suspeita.
A substância tinge o líquido, facilitando identificar o lançamento está sendo feito nas galerias de águas pluviais (cuja função é escoar a chuva), o que caracteriza esgoto clandestino. Nelson Pereira, do IAP, ressaltou que os possíveis culpados podem ser fabricantes de desinfetante, lavanderias ou empresas de alvejamento de jeans.
Durante os trabalhos de ontem, os técnicos do IAP também descobriram lançamento de sabão e terra na galeria pluvial que monitoravam. Para Pereira, os produtos são resíduos de lavagem de carros em postos de combustíveis, que estariam despejando esgoto clandestino no córrego Guarujá. ‘‘É mais um problema que teremos de investigar’’, comentou.
Ele acrescentou que o importante agora é descobrir os responsáveis pelo lançamento do cloro. ‘‘Após interrompermos a descarga, a natureza se encarregará de se recuperar sozinha’’, afirmou.
Ontem, o IAP realizou também o 10º monitoramento da qualidade da água do Lago Igapó, que enfrentou recentemente o maior desastre ecológico dos últimos 25 anos. De acordo com o técnico José Carlos dos Santos, o lago já apresenta condições estáveis, parecidas com a situação anterior ao acidente.

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