Curitiba - O governo do Paraná está disposto a recuperar as matas ciliares vegetação do entorno de rios de, pelo menos, 100 mananciais de abastecimento do Estado e promete investir, somente este ano, R$ 25 milhões no Programa de Recuperação da Mata Ciliar. Ontem, em comemoração ao Dia Mundial das Águas, foram plantadas 1 milhão de mudas de árvores nas margens de rios de todos os 399 municípios paranaenses. O governador Roberto Requião (PMDB) e o secretário de Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, participaram do plantio às margens do Rio Tumiri, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba.
O programa prevê a recuperação de 150 viveiros municipais, que serão responsáveis pela produção das mudas. Além disso, o governo planeja dar cursos de capacitação técnica para produtores rurais para evitar a contaminação dos rios com agrotóxicos e isolar as áreas a serem recuperadas. A meta do governo é plantar 90 milhões de mudas de árvores em três anos.
As regiões norte e noroeste do Estado deverão ser priorizadas, pois nesses locais a vegetação das margens dos rios está mais comprometida. Na Região Metropolitana de Curitiba, os rios Iraí e Passaúna, mananciais utilizados pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para abastecimento, também receberão atenção especial.
O governo entende que a melhor forma de assegurar a melhoria da qualidade dos recursos hídricos do Estado é por meio da recuperação das matas ciliares. Isso porque a vegetação funciona como uma barreira natural para evitar a contaminação e o assoreamento dos mananciais provocado pela erosão. Mas a expectativa do governo é poder estruturar políticas direcionadas a cada região a partir da implantação do Plano Estadual de Recursos Hídricos.
A legislação, que disciplina o uso das águas, sofreu alterações que terão que passar pelo crivo da Assembléia Legislativa. Uma das principais mudanças é a transformação da Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) em Agência Estadual de Águas. Cada região terá agências locais (16 no total), que funcionarão como comitês gestores, com participação da sociedade civil organizada, e definirão as prioridades em termos de investimentos para a recuperação e conservação dos recursos hídricos.
Com a criação da Agência Estadual de Águas, o governo regulamentará a cobrança pelo uso da água. O dinheiro arrecadado será aplicado nos projetos definidos pelos comitês.
Por outro lado, os ambientalistas criticam a demora do governo do Estado em nomear o Conselho Estadual dos Recursos Hídricos, que também reuniria representantes de organizações não-governamentais para sugerir e apreciar propostas voltada à conservação dos mananciais do Estado. A Liga Ambiental entrou com uma ação na Justiça, cobrando do governo a instalação do conselho.
Segundo a secretária executiva da União das Entidades Ambientalistas do Paraná (Uneap), Laura Jesus de Moura e Costa, os ambientalistas até entendem que era preciso corrigir ''os vícios neoliberais'' na criação da Agência Estadual de Águas, mas com o conselho constituído, eles poderiam, inclusive, ''ajudar o governo na formulação da nova política de recursos hídricos''.
Os nomes dos conselheiros, eleitos em agosto do ano passado, já foram encaminhados para o Palácio Iguaçu. Segundo a assessoria de imprensa da Casa Civil, a composição do Conselho Estadual de Recursos Hídricos ainda está aguardando análise do governador.

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