Os rios do oeste e sul do Pará estão baixando cerca de 5 centímetros por dia por causa da seca. Navios e barcos estão encalhando nos rios Tapajós e Tocantins, afluentes do Amazonas, na pior estiagem dos últimos 118 anos. Segundo os meteorologistas paraenses, a seca ainda é consequência do fenômeno El Ni¤o. Mas eles acreditam que o aumento das queimadas e desmatamento nas duas regiões do Estado agravaram o problema.
A seca do rio Tocantins pode afetar o funcionamento das turbinas da hidrelétrica de Tucuruí, que abastece as principais cidades do Pará e a região nordeste do País. O lago da barragem de Tucuruí, situado numa área de 2,4 mil quilômetros quadrados, está operando na cota 60, quando deveria estar com pelo menos 80. De acordo com o assessor da gerência da Eletronorte em Belém, Tenyson Andrade, o nível do Tocantins está muito baixo entre Tucuruí e Marabá. Nesta última cidade, qualquer pessoa pode atravessar o rio com a água pela cintura.
Em Santarém, a seca no Tapajós prejudica tanto a navegação como a pesca, agricultura e atividades portuárias. Com dezenas de barcos encalhados na areia em frente ao cais da cidade, os pescadores limitam-se a observar o comportamento do rio, torcendo para que as chuvas voltem a cair na região e façam o nível das águas subir novamente. Cidades como Alenquer, Óbidos, Monte Alegre e Oriximiná limitaram as viagens de seus barcos de passageiros, temendo encalhe nos bancos de areia.

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