Rios Amazonas e Tapajós estão secando
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quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Carlos Mendes<br>Agência Estado 
Belém - A falta de chuvas já prejudica a navegação nos rios da região oeste do Pará, entre eles o Amazonas e o Tapajós, que estão secando neste verão amazônico. Os pescadores e o meio ambiente sofrem as consequências. Em locais mais secos do rio Arapiuns, afluente do Tapajós, os peixes estão morrendo asfixiados por falta de água. A pesca comercial no lago do Maicá, no rio Amazonas, está proibida desde a semana passada.
Em frente à cidade de Santarém, no Rio Tapajós, um navio cargueiro encalhou em um banco de areia. O acidente ocorreu num local onde o Tapajós deságua no Amazonas, o maior rio do mundo em volume d'água. A Capitania dos Portos em Santarém informou que o navio desencalhou no final da manhã de ontem e seguiu viagem rumo à Europa.
O desmatamento, a destruição da mata ciliar e as queimadas nas encostas dos rios, além do aquecimento global são apontados por autoridades paraenses como causas da seca na região. A possibilidade de restringir a navegação de navios de grande calado e transatlânticos turísticos pela área começa a ser cogitada. Os prejuízos para a economia local, sustentada pela exportação de madeira, soja e pescado seriam muito altos.
Os pescadores de Santarém contaram nunca terem visto os rios Tapajós e Amazonas tão rasos. ''Tenho 57 anos e não me lembro de ter presenciado uma coisa dessas nem quando era criança'', comentou o pescador José Wilson de Jesus. Para ele, a explicação está na ponta da língua: ''O homem anda fazendo coisas muito erradas com a natureza e ela está se vingando''.
A prova da seca, segundo o pesquisador Luís Alfredo Costa de Souza, um mineiro que já morou em Belterra, município vizinho de Santarém, está diante de todos que contemplam o Tapajós do cais da cidade. O rio já sofreu um recuo de 400 metros do seu nível normal, desde julho. O lugar onde as ondas quebravam ontem virou uma imensa praia de lama.
Levantamento feito pela Marinha concluiu que o Tapajós está dois metros mais seco do que no mesmo período do ano passado. De acordo com a Companhia Docas do Pará (CDP) no município, em outubro do ano passado o nível das águas do rio atingiu a marca de 4,10 metros na régua. Este ano, o nível caiu para 2,10 metros.


