RioBarley's pede concordata
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 04 (AE) - A principal rede de varejo de produtos importados em funcionamneto no Rio, a RioBarleys Lojas de Departamentos, pediu, na última sexta feira, concordata para uma dívida de R$ 4,892 milhões que tem com bancos e fornecedores. O presidente do grupo Barleys, Giuseppe Bizzarro, revelou por meio de sua assessoria de imprensa que a concordata significa um pedido de trégua aos credores. Ele espera pagar todas as dívidas em apenas seis meses, prazo menor do que os dois anos permitidos para quitação de dívidas de concordatárias.
O argumento de Bizarro para a concordata são as altas taxas de juros e a disparada do dólar que, segundo ele, geraram dificuldades e inviabilizaram o pagamento das dívidas. O presidente da Barleys quer trégua com os credores até a acomodação do cenário econômico, com redução dos juros e estabilização do dólar frente ao real. A Barleys, que opera 10 lojas com o nome Barleys e World Dreams no Rio, mantém ainda dívidas em dólar com fornecedores no exterior, segundo informação oficial. O montante não foi divulgado. O pedido de concordata da Barleys foi distribuido para 1ª Vara Civil de Falências e Concordatas no Rio, mas não houve decisão ainda.
Além da multiplicação das dívidas, a Barleys enfrentou também o forte recuo das vendas desde o segundo semestre do ano passado, tendência que piorou nas últimas semanas. Segundo a assessoria de imprensa, o faturamento do grupo caiu pela metade depois da desvalorização do real. A informação divulgada por Bizzarro é de que não há como repassar aumentos dos produtos comprados em dólar para os consumidores brasileiros. Para ele, as vendas tendem a cair ainda mais caso haja aumento de preços.
O faturamento do grupo em 1998 não está disponível, mas o de 1997 chegou a R$ 75 milhões. A projeção para o faturamento do ano passado era de crescimento de 5% a 10% em relação ao do ano anterior. As lojas da Barleys, que empregam 400 funcionários, continuarão em funcionamento normalmente.
Bizarro declarou sua insatisfação com o governo pela assessoria de imprensa. Segundo ele, as dificuldades da Barleys foram geradas porque, da noite para o dia, o governo fez tudo diferente do que dizia, aumentando os juros e deixando o dólar disparar. A assessoria divulgou ainda que a Barleys já havia sofrido impacto negativo, em 1998, com aumento de alíquotas de importação definidas pelo governo.
Para o diretor de Análise e Pesquisa do banco suíço Warburg Dillon Read, Marcelo Mesquita, a concordata da Barleys é apenas a ponta do "iceberg" do setor de varejo. Ele avalia que as taxas de juros altas e a expressiva valorização do dólar criou dificuldades para muitas empresas do setor, que estão endividadas e têm visto as vendas cairem.
O especialista ressaltou que o erro da Barleys foi não estar protegida para a mudança cambial. Porém lembrou que ela sofreu porque depende não só do dólar, mas também dos juros, que subiram, e das vendas, que cairam. "Os três fatores juntos complicaram a situação", ressaltou.
A analista e rseponsável pela área de Pesquisa de Varejo do Banco Primus, Rafaela Garcia, também entende que a Barleys reflete a situação do setor de varejo frente a alta dos juros e a disparada do dólar. Ela está otimista, no enatanto, em relação ao futuro. Para a especialista, em dois ou três meses os consumidores voltarão a comprar, substituindo produtos importados e que subiram de preços por outros nacionais e mais baratos, aquecendo novamente as vendas do comércio varejista.
Rafaela lembrou que o importante para o setor de varejo é a retomada da calmaria porque o clima de instabilidade inibe as compras. "Até a desova de todo o estoque, as empresas terão tempo de rever estratégias de venda e de compra de novo produtos", destacou.


