Rio vai integrar redes estadual e municipal de ensino para combater falta de vagas e professores
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Felipe Werneck, especial para a AE 
Rio, 12 (AE) - O secretário estadual de Educação do Rio, Hésio Cordeiro, anunciou hoje a criação de um programa de integração das redes municipal e estadual de ensino para tentar combater a falta de vagas e professores. Cordeiro acredita que o programa, denominado Sistema Integrado de Educação Básica (Sieb), trará resultados semelhantes aos verificados, pelo Estado, na área da Saúde a partir da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). "A idéia é acabar com essa dicotomia entre as redes estadual e municipal, que precisam trabalhar de maneira articulada; o Sieb será o SUS da Educação", afirmou.
Cordeiro citou como exemplo a informatização do sistema de matrícula, que passaria a funcionar de maneira integrada, possibilitando maior rapidez no remanejamento de alunos que não tenham conseguido matricular-se. Apenas em março o governo terá um balanço sobre a falta de vagas no Estado. Por causa desse problema, algumas das 1.944 escolas do Rio - 228 estão desativadas - terão de adotar um calendário de ajuste para cumprir os 200 dias do ano letivo. Está programada a implantação de uma central de informações sobre vagas por meio do sistema 0800. Professores - Na tentativa de reduzir o déficit de 11.554 professores da rede, o governo está contratando 6 mil docentes aprovados em um concurso realizado no fim do ano passado. "Apesar das medidas que tomamos, não dá pra assegurar que iremos suprir as carências até o fim do ano", admitiu Cordeiro.
As aulas de química, física e matemática são as mais problemáticas - no caso de química, a carência é de 607 professores, mas apenas 180 foram aprovados no concurso. Na Escola Ayrton Senna, em frente da Favela da Rocinha, em São Conrado, há dois anos os alunos não têm aulas de física e matemática.
Uma das saídas encontradas pelo governo para reverter o problema foi a contratação de professores pelo Regime Especial de Trabalho, que propõe a ampliação da carga horária para os que já trabalham na rede. No Rio, um professor em início de carreira recebe R$ 416. Com mais de 20 anos de trabalho, o salário é de R$ 676.
O primeiro acordo para discutir e elaborar diretrizes comuns de política pedagógica - parâmetros curriculares, por exemplo - foi firmado no início do mês, com a prefeitura de Resende, na região do Vale do Paraíba. O próximo protocolo será assinado no dia 22, em Angra dos Reis. Ciep - O secretário afirmou que o governo pretende implantar Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) em pelo menos 70% dos 91 municípios do Estado nos próximos 4 anos. As escolas irão funcionar em horário integral. O governo também vai desenvolver programas de bolsa-escola, disse o secretário.


