Rio vai exigir amostra de combustível usado por navios que atracarem na Baía de Guanabara
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Roberta Jansen 
Rio, 22 (AE) - A partir da próxima semana, todo navio que entrar na Baía de Guanabara, no Rio, terá que deixar uma amostra do combustível que está usando e, no caso de petroleiros
também do óleo que transporta com as autoridades ambientais do Estado. O objetivo é, em caso de vazamento e acidente ambiental, identificar imediatamente o responsável pela emissão. O controle será feito pela Capitania dos Portos e pela Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema).
"Será uma forma de termos um registro imediato do óleo que entra e sai da baía", afirmou hoje o secretário estadual de Meio Ambiente, André Correa. A decisão foi tomada diante da dificuldade das autoridades estaduais de estabelecer o responsável pelo lançamento de óleo na baía, proveniente da limpeza de um tanque de combustível, na última sexta-feira.
De acordo com laudo divulgado hoje pelo secretário, o petroleiro Joenville, da Petrobrás, não foi responsável pelo lançamento do óleo. A Feema constatou que o navio da Petrobrás transportava óleo proveniente da Bacia de Campos, enquanto que o óleo encontrado na baía era de origem árabe. Segundo informações preliminares, a Petrobrás distribui esse tipo de óleo para a Marinha. O secretário anunciou que pretende intimar a Marinha Mercante e a Marinha de Guerra a prestar esclarecimentos sobre o lançamento. Auditoria - A Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia - junto com cinco universidades públicas e privadas do Estado - fará uma auditoria externa nas instalações da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) para avaliar as condições de funcionamento da unidade da Petrobrás. Um convênio entre a secretaria e Petrobrás vai possibilitar a realização do trabalho. A auditoria irá analisar também os possíveis danos ambientais causados pelo complexo industrial. A estatal pagará a conta: estão previstos investimentos de R$ 800 mil.
O vazamento de 1,29 milhão de litros de óleo da Reduc na Baía de Guanabara trouxe à tona questionamentos sobre as condições de funcionamento da refinaria. "Estamos mobilizando a comunidade técnico-científica do Estado para desenvolver um plano de ação isento que possibilite a preservação da Reduc", explicou o secretário especial de Ciência e Tecnologia, Wanderley de Souza. Cadastro - A Petrobrás está refazendo o cadastro dos pescadores prejudicados com o vazamento de óleo em função de diversas reclamações de pessoas que teriam ficado de fora da primeira listagem. Até o momento, a empresa já tem mais de 12 mil nomes e está avaliando a situação de cada um deles para evitar o pagamento da ajuda de custo a pessoas que nunca pescaram.
A análise termina amanhã e, entre os dias 24 e 25, a empresa pretende pagar às pessoas que ficaram de fora da primeira lista a ajuda de custo referente a janeiro. Nesse mês, 4.017 pescadores receberam o dinheiro - um total de R$ 1,7 milhão.


