Rio tenta conter roubo de mudas de árvores e gramas de praças
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segunda-feira, 24 de maio de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 25 (AE) - Uma inusitada modalidade de crime vem tirando o sono do prefeito Luiz Paulo Conde: o roubo e a depredação de mudas de árvores e de grama. Das 16,3 mil mudas plantadas no ano passado pela Fundação Parques e Jardins na cidade, a metade foi retirada ou destruída, somando um prejuízo anual de cerca de R$ 500 mil. Os criminosos costumam agir à noite e em grupos. Dificilmente são identificados.
Para tentar minimizar o problema, o prefeito anunciou, no último dia 7, a realização de uma campanha de conscientização
para que as pessoas aprendam a zelar pelo patrimônio público. O anúncio foi feito durante vistoria de Conde às obras que estão sendo realizadas no Parque do Flamengo, um dos maiores da cidade e, por isso, um dos grandes alvos dos vândalos. "Infelizmente, aqui ocorrem muitos roubos de grama, plantas e árvores", afirmou na ocasião. "Vamos fazer essa campanha para transformar os frequentadores em amigos do parque." Não há previsão ainda, no entanto, da data do início da campanha.
No Parque do Flamengo, num projeto do paisagista Burle Marx, estão sendo replantadas 6 mil árvores de um total de 17 mil. As plantas estão recebendo, pela primeira vez, um tratamento fitossanitário e ganharão placas de identificação. Para garantir a segurança do local, inclusive contra a depredação e o roubo de mudas, serão instaladas 26 câmeras de vídeo em lugares estratégicos do parque. A guarda municipal fará segurança durante as 24 horas do dia. "A orientação é não permitir que a área seja depredada", disse o chefe da seção de Comunicação Social da Guarda Municipal, coronel Ismael Lima.
Roubo - A Fundação Parques e Jardins não tem como quantificar o roubo e a depredação no Parque do Flamengo, mas, segundo o presidente da fundação, Vicente Cantini, a retirada de grama é significativa ali. "Já tem gente se especializando nisso", afirmou. O roubo tem explicação: o metro quadrado de grama colocado custa, em média, R$ 8. Cada muda de árvore, com os devidos suportes, terra e adubo, custa entre R$ 55 e R$ 65. Para a depredação, a explicação é mais complexa. "Acho que as pessoas só amam aquilo que conhecem", filosofou Cantini. "Elas não sabem da importância das plantas porque não foram conscientizadas." Cantini lembrou do caso ocorrido há duas semanas na Praça Seca, em Jacarepaguá, na zona oeste. A fundação acabara de concluir todo o replantio de árvores na praça, quando foi realizado um baile funk nas proximidades. "No dia seguinte, não tinha mais nada do que plantamos na praça", contou. Segundo Cantini, as retiradas e a destruição acontecem indiscriminadamente em toda a cidade. "É um erro achar que o roubo e a depredação são mais frequentes em áreas carentes", afirmou.
O assunto preocupa tanto as autoridades que entre os dias 4 e 10 de julho será realizado no Rio o I Congresso Hispano-Brasileiro de Parques e Jardins, organizado pela fundação carioca e pela Associação Espanhola de Parques e Jardins Públicos. Um dos principais temas do encontro é, justamente, a educação ambiental como forma de mudar o comportamento das pessoas.
Para Cantini, a educação é a única saída para o problema. "A idéia é, antes de fazermos o replantio, realizarmos oficinas nos locais para conscientizar a população"
disse. "As pessoas precisam ter noção de que não há órgão público em qualquer lugar do mundo que consiga repor a vegetação nessa proporção: é preciso preservar."


