Rio- Apesar de ter a menor proporção de fumantes entre sete cidades da América Latina, o nível de poluição do ambiente causado pelo fumo em restaurantes na cidade do Rio é o segundo maior em comparação com Montevidéu (Uruguai), Santiago (Chile), Lima (Peru), Assunção (Paraguai) e San José (Costa Rica), perdendo apenas para Buenos Aires (Argentina).
Os dados foram divulgados ontem -Dia Nacional de Combate ao Fumo- pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) e fazem parte de uma pesquisa da Organização Pan-Americana de Saúde. O levantamento mostra que apenas 17,5% dos cariocas fumam. A maior porcentagem foi encontrada em Montevidéu: 49,5%.
Os níveis de nicotina no ambiente em prédios de governo, escolas, hospitais e aeroportos cariocas também são relativamente baixos em comparação com as outras cidades, mas a situação passa ser desfavorável em restaurantes. Nesse caso, a cidade tem a segunda maior taxa, como 2,5189 microgramas de nicotina por metro cúbico. Apenas Buenos Aires, onde 39,8% da população fumam, tem níveis maiores.
Foi por essa razão que o Inca lançou ontem uma campanha com foco nos garçons e funcionários de bares e restaurantes. ''Um profissional que trabalha oito horas num dia, mesmo que não fume, terá inalado o equivalente a quatro a dez cigarros num só dia'', afirma Tânia Cavalcante, chefe da Divisão de Controle do Tabagismo do Inca e coordenadora do Programa Nacional de Controle do Tabagismo.
Segundo Cavalcante, não basta criar áreas de não-fumantes: ''Não adianta separar uma área para fumantes e não-fumantes porque a fumaça se espalha por todos os ambientes. Não há níveis seguros para a exposição às substâncias tóxicas no ambiente''.
Além de conscientizar a população para os riscos do fumo passivo, o Inca decidiu reforçar ontem mais duas iniciativas. A primeira é a exigência de cumprimento da lei federal 9.292/96, que proíbe o fumo em locais fechados como restaurantes, repartições públicas, salas de aula e ambientes de trabalho.
O instituto quer que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) intensifique a fiscalização para que os estabelecimentos cumpram essa lei. Em muitos municípios, o problema é que a prefeitura ou o Estado ainda não regulamentaram, como determina o decreto que criou a lei, como será feita a fiscalização e aplicação de penalidades nos estabelecimentos e fumantes que não respeitam a lei.
Outra iniciativa do Inca é pressionar o Senado para aprovar a Convenção Quadro para o controle do Tabaco. O prazo para que o Congresso ratifique essa convenção internacional acaba em 57 dias. No entanto, segundo o Inca, o lobby dos produtores de fumo e das multinacionais têm atrasado essa votação.
A convenção foi negociada entre 192 países no âmbito da Organização Mundial de Saúde. Ela prevê, entre outros pontos, mecanismos de incentivo para que os produtores de fumo troquem essa atividade por outras.
Um dos argumentos da Abifumo é que a medida causaria desemprego, mas o Inca rebate essa afirmação argumentando que o objetivo é justamente proteger os produtores de fumo dos impactos negativos de uma atividade que está sendo restringida em todo o mundo.
Segundo o instituto, as políticas de combate ao fumo no Brasil têm surtido efeito. De 1989 a 2003, a porcentagem de fumantes na população com mais de 15 anos caiu de 32% para 19% em todo o Brasil.

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