Aos 80 anos, a dona de casa Rosa Godinho procura caminhar e manter uma alimentação saudável para viver ainda muitos anos. ''Quero ver meus netos
crescerem e preciso me cuidar para ter saúde'', conta, ao lado da irmã, Ana Carolina Costa, de 81, com quem gosta de caminhar pela área verde do Museu da República, no Catete, zona sul do Rio. O Estado tem a maior proporção de idosos do País, de acordo com os dados do Censo 2000 - são 29 velhos para cada 100 crianças de até 15 anos.

Moradora do Flamengo, dona Rosa aproveita os espaços de lazer do bairro para se exercitar. ''Tenho uma amiga de 97 anos que ainda caminha. Não posso ficar trancada em casa. Dou preferência a andar em vez de me acomodar num ônibus ou num carro'', disse. Ela se orgulha em dizer que não bebe, não fuma e não come muito. Ana Carolina, recentemente, se mudou para Natal (RN) com a filha e está no Rio de férias. ''Às vezes sinto falta dessa cidade, porque o Rio acolhe os idosos. Aqui há muitos lugares para a gente passear.''

Uma das explicações para a grande proporção de idosos no Estado é a baixa taxa de fecundidade - a menor do Brasil. A média de filhos da mulher fluminense era de 1,9 pelos dados do IBGE de 1999, abaixo da nacional, que era de 2,3. A brasileira, dizem os números de 2000, tem 2,2 filhos. A nova taxa do Rio ainda não foi divulgada, mas a tendência é que continue diminuindo.

O relojoeiro aposentado Manoel Francisco Lopes, de 72 anos, acredita que a longevidade está no sangue da família. ''Minha mãe morreu com 84 anos e meu pai, com 82. Ainda vou viver muito'', brinca. Mesmo assim, ele não se descuida: é vegetariano, tem uma rotina de exercícios físicos e visita regularmente seu médico. ''Apesar do medo da violência, ainda existe qualidade de vida no Rio. Acho que a cidade inspira a gente a viver mais.''
João Ribeiro Sobrinho, de 75 anos, acha que ''o idoso não é tratado dignamente''. ''Trabalhei por 40 anos e não consegui nada nessa vida. Agora estou doente e preciso de remédio, mas os hospitais estão em greve''. (A.E.)

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